“(…)Freedom of conscience is protected under the doctrine of informed consent, which specifically protects the right to decline. For informed consent to be valid, a decision must not be coerced.”
(Peggy O’mara, em sua coluna na Mothering Magazine desse bimestre)
Só agora fui ler a Mothering desse bimestre (March-April issue), e adorei o tema abordado pela editora Peggy O’mara, que permeia nossa vida de forma bem ampla, não se aplicando apenas quando se trata de filhos e maternidade: a liberdade de tomarmos decisões conscientes e informadas. A polêmica na verdade não se restringe a bate-boca em listas de discussão e blogs, mas em alguns casos assume proporção tal que acaba em tribunais ou se torna questão de saúde pública. Infelizmente não tenho como linkar o texto, já que a revista não disponibiliza suas matérias digitalmente.
Estou citando a matéria aqui apenas porque lê-la só reforçou minha crença na importância de lutarmos pela liberdade de tomar decisões, e questionar sempre. Porque começamos a ser privados de liberdade desde muito cedo: da forma como nascemos, de acordo com a conveniência dos médicos – aqueles que, por puro medo, acreditamos saber o que é melhor pra nós. Depois quando temos nossa infância roubada pela intelectualização precoce e pela mídia. TV e publicidade ditam nossos gostos e interesses, acabando com a criatividade e, por que não dizer, manipulando e moldando. Nos tornamos logo pequenos robôs consumistas. Passamos a infância a juventude estudando por obrigação, em escolas que nos usam pra vender seus “produtos para nossos pais”. Somos obrigados a decorar o que “cai no vestibular” e muitas vezes jamais conhecemos o prazer em adquirir conhecimento. E depois somos obrigados a escolher uma carreira aos 16, 17 anos quando, salvo raras exceções, não fazemos a menor idéia do que queremos da vida. Passamos por um processo de seleção estúpido, conveniente a alguns, conhecido como vestibular, e seguimos nossa instrução formal em faculdades que não muito se distinguem dos ensinos fundamental e médio. E quando nos tornamos mães a pais, quanta coisa nos é imposta! A cultura do medo tem ainda mais força quando se trata de nossos filhos. Os pais que optam por parto domiciliar, por não vacinar seus filhos, por não abrir mão de uma educação tradicional, entre outras coisas, são considerados irresponsáveis.
Não se trata de defender aqui nenhuma dessas posturas, até porque a não ser pela última não foram opções que fiz como mãe até o momento. Quero apenas defender a liberdade de tomar decisões de esfera privada sem ter que nos submeter aos interesses da midia, da indústria farmaceutica e de outros mais, sempre camuflados como intereses em nome do bem comum. Parece um post “teoria da conspiração”, mas até nisso é preciso liberdade para avaliar: trata-se de teoria da conspiração mesmo? Talvez, talvez em parte, talvez não. A verdade é que poucos têm consciência das influências perversas que sofrem ao tomar decisões em suas vidas, das mais cotidianas às que realmente importam.
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Quero aproveitar também pra linkar aqui minhas respostas a 10 perguntas sobre a busca e a escolha de escola, postadas no Futuro do Presente há alguns dias. Ninguem entrou no debate ainda, mas continua aberto e a troca de idéias é sempre bem-vinda.
Rê, como é difícil, não?
Mas ando percebendo que este é um erro realmente cultural: somos criados assim e permanecemos assim. Outro dia, fomos comer num restaurante vegetariano. Nunca me senti tão mal num lugar: eu estava como habitualmente me visto: calça jeans, camiseta e tenis. Mas estava com brincos vistosos, meu marido é gordo e meus filhos usavam roupas normais de criança…mas a maioria no local com aquelas roupas de hippie, sandália de dedo (coisa que uso tb) mas fomos observados em cada movimento como se perguntassem, o que esses amantes de churrascaria fazem aqui?
Logo nós, que moramos no meio do mato, que acordamos ouvindo passarinhos e temos grama no jardim para nossos filhos correrem e gostamos de boa comida, seja vegetariana ou não.
Mas fiquei triste por me sentir julgada por pessoas que provavelmente moravam em apartamentos gradeados, no meio do caos.
E aí a gente vê que muitas vezes não somos aceitos nem pelos “alternativos”. Estamos trilhando um caminho difícil.
Ana, vc se sente como eu mesma muitas vezes. Nem lá nem cá. Isso pq acho que nós estamos em busca de nosso caminho, que é na verdade único. Tb acho que os alternativos podem ser bem julgadores tb. Às vezes tanto qto a galera “mainstream”. Acho que alguns realmente exageram, omo alguns defensores de bandeiras como a do parto natural, gerando reações defensivas de outros sem necessidade.
Naquele dia do bazar da escola me senti muito perdida, porque no mesmo dia em que estive lá fui jantar na casa de uns amigos que hoje estão muito distantes de mim em forma de pensar e estilo de vida. Não me identifico totalmente com a galera lá da escola, em grande parte alternativa ao extremo (se genuinamente ou não, não posso dizer), mas tb já me sinto muito diferente dos meus amigos antigos. E eles me olham com estranheza quando falo alguns coisas, qdo comento sobre a forma como crio a Pipoca. Para os alternativos sou louca por viajar pra Disney com ela, para minha antiga tribo sou um ET porque ela não assiste TV. O pessoal da escola olha diferente pro meu marido, que vira e mexe aparece por lá de terno ou, na pior das hipóteses, social. Nosso amigos antigos estranham o fato de a gente não viajar nunca sem a Pipoca, e de ela ter dormido na nossa cama por tanto tempo.
Enfim, entendo perfeitamente vcs…é muito triste se sentir julgado dessa forma. Diria que esse é o meu aprendizado do momento: compaixão. Não julgar a mim mesma nem aos outros. E não podemos nos deixar abater: só nós, com consciência e informação, podemos definir o que é melhor pra nós. O contrário é muito aprisionador.
Beijo!
Re
B
Renata, o assunto foi muito bem colocado. Não conhecia a Mothering. Mas eu acho que as coisas estão ficando mais fáceis, sabia? Antes era difícil não ser católico. Não deixar o filho tomar uns cascudos na escola. Usar uma roupa diferente. Se separar. Ser mãe solteira.
Hoje há mais tolerância às escolhas individuais, mas concordo que ainda temos um looooooooongo caminho pela frente, baby! O ideal é ser como você – circular por entre as tribos, sem se restringir a uma delas. Adorei o paralelo Disney X televisão. É isso mesmo. Ser natureba, mas liberar porcarias de vez em quando. Ter um visual normal, mas gostar de uma comidinha hippie macrô. Usar homeopatia, mas não ter dúvidas sobre vacinar.
Desse jeito a gente vai se achando, pegando o melhor de cada coisa e tocando a vida sem viver encaixado numa forma.
(Não esquenta sobre a minha mãe! Vc não tinha como saber. Não há do que se desculpar.)
Taís, a Mothering é excelente! Eu assino tanto a versão impressa quanto a digital, vale muito a pena. Não há nada igual no Brasil.
Sem dúvida antigamente devia ser bem pior…mas as pessoas hoje ainda julgam muito, sabe?
E acho que é isso mesmo que vc falou, devemos buscar nosso jeito, nosso caminho. E nunca deixar de questionar, né?
Só que tenho me sentido muito solitária ultimamente, sabe? Sem tribo, sem eco. Vc, Ana Claudia e uma spoucas são mães com quem encontro afinidade.
Beijo e obrigada por comentar!
Re