Archive for the ‘ecologia’ Category

Minha singela homenagem à terra

Wednesday, April 22nd, 2009

Não vou falar sobre a importância de nos informarmos e nos educarmos. Quero falar, hoje, sobre nossa conexão com a terra, que pode ser alimentada de diversas formas, como quando andamos descalços sobre ela, como quando meditamos junto à natureza ou mesmo quando participamos de rituais, quaisquer que eles sejam, que invoquem essa conexão. O amor e o respeito pela terra é algo mais profundo, divino mesmo. Afinal dela viemos e para ela voltaremos. Daí, o que vem depois é consequência.
A terra é nossa mãe
Devemos cuidar dela
A terra é nossa mãe
Devemos cuidar dela
Unidos
Minha gente somos um
Unidos
Minha gente somos um
Seu solo é sagrado
E sobre ele andamos
Seu solo é sagrado
E sobre ele andamos
Unidos
Minha gente somos um
Unidos
Minha gente somos um

Liberdade para decidir e um link

Wednesday, April 22nd, 2009

“(…)Freedom of conscience is protected under the doctrine of informed consent, which specifically protects the right to decline. For informed consent to be valid, a decision must not be coerced.”
(Peggy O’mara, em sua coluna na Mothering Magazine desse bimestre)

Só agora fui ler a Mothering desse bimestre (March-April issue), e adorei o tema abordado pela editora Peggy O’mara, que permeia nossa vida de forma bem ampla, não se aplicando apenas quando se trata de filhos e maternidade: a liberdade de tomarmos decisões conscientes e informadas. A polêmica na verdade não se restringe a bate-boca em listas de discussão e blogs, mas em alguns casos assume proporção tal que acaba em tribunais ou se torna questão de saúde pública. Infelizmente não tenho como linkar o texto, já que a revista não disponibiliza suas matérias digitalmente.
Estou citando a matéria aqui apenas porque lê-la só reforçou minha crença na importância de lutarmos pela liberdade de tomar decisões, e questionar sempre. Porque começamos a ser privados de liberdade desde muito cedo: da forma como nascemos, de acordo com a conveniência dos médicos – aqueles que, por puro medo, acreditamos saber o que é melhor pra nós. Depois quando temos nossa infância roubada pela intelectualização precoce e pela mídia. TV e publicidade ditam nossos gostos e interesses, acabando com a criatividade e, por que não dizer, manipulando e moldando. Nos tornamos logo pequenos robôs consumistas. Passamos a infância a juventude estudando por obrigação, em escolas que nos usam pra vender seus “produtos para nossos pais”. Somos obrigados a decorar o que “cai no vestibular” e muitas vezes jamais conhecemos o prazer em adquirir conhecimento. E depois somos obrigados a escolher uma carreira aos 16, 17 anos quando, salvo raras exceções, não fazemos a menor idéia do que queremos da vida. Passamos por um processo de seleção estúpido, conveniente a alguns, conhecido como vestibular, e seguimos nossa instrução formal em faculdades que não muito se distinguem dos ensinos fundamental e médio. E quando nos tornamos mães a pais, quanta coisa nos é imposta! A cultura do medo tem ainda mais força quando se trata de nossos filhos. Os pais que optam por parto domiciliar, por não vacinar seus filhos, por não abrir mão de uma educação tradicional, entre outras coisas, são considerados irresponsáveis.
Não se trata de defender aqui nenhuma dessas posturas, até porque a não ser pela última não foram opções que fiz como mãe até o momento. Quero apenas defender a liberdade de tomar decisões de esfera privada sem ter que nos submeter aos interesses da midia, da indústria farmaceutica e de outros mais, sempre camuflados como intereses em nome do bem comum. Parece um post “teoria da conspiração”, mas até nisso é preciso liberdade para avaliar: trata-se de teoria da conspiração mesmo? Talvez, talvez em parte, talvez não. A verdade é que poucos têm consciência das influências perversas que sofrem ao tomar decisões em suas vidas, das mais cotidianas às que realmente importam.
***
Quero aproveitar também pra linkar aqui minhas respostas a 10 perguntas sobre a busca e a escolha de escola, postadas no Futuro do Presente há alguns dias. Ninguem entrou no debate ainda, mas continua aberto e a troca de idéias é sempre bem-vinda.

Humanização do nascimento, polêmicas

Monday, April 6th, 2009

Embora esteja aprendendo a respeito e tenha o parto natural como um ideal, sempre questionei posições radicais. Por outro lado embora tenha sido uma vítima do intervencionismo médico, jamais me senti menos mãe ou mulher por conta disso e recebi as informações a respeito do tema de coração aberto, em momento nenhum fiquei na defensiva. Mas percebi que isso acontece com muitas mulheres, e acho uma pena.
Reproduzo integralmente o email abaixo, do obstetra humanizado Ricardo Jones, ativista da causa, enviado no último final de semana para a lista do grupo Parto Natural. O teor do email é definitivo pra mim, e é na esperança de que suas palavras toquem o coração de outras mulheres que o divulgo aqui. É longo, mas prometo: merece uma leitura atenta, e de coração aberto.
Ah, mais uma coisinha: eu teria tudo pra ser uma dessas mulheres no email qualificadas como “tropa de elite” da cesariana do Brasil: nível superior, classe média, madura e com cesariana prévia. Mas não serei, porque não quero e porque sei que posso fazer diferente e melhor.

“Daqueles que reclamam da barbárie da desconsideração e da indignidade da forma como conduzimos o nascimento humano no ocidente dizemos serem “chatos” e “xiitas”, mas não chamamos de violentos aqueles que, através do silêncio ou do escárnio, colaboram para a destruição sistemática do feminino na nossa cultura.”
Caríssimos radicais insensíveis que povoam meus dias:
Na internet está rolando um texto de uma gestante que está para ter seu segundo filho. Jornalista, casada com um escritor conhecido, ela discorre sobre as conversas desagradáveis que teve durante a sua atual gestação. Em ocasiões sociais algumas “radicais” lhe falaram das inquestionáveis vantagens dos partos normais sobre a alternativa cirúrgica, o que lhe causou irritação e inconformidade. A sensação que ela descreve é de que estas mulheres filtravam a maternidade através do parto natural, não permitindo que uma mulher pudesse sentir-se mãe tendo recebido seu bebê pela via operatória. É evidente que na gestação anterior ela sofreu uma cesariana. Nada mais natural, pois pertencendo a este extrato social – a classe média brasileira – a sua chance de ter um parto vaginal (não necessariamente “normal”) seria de menos de 15%. A justificativa para o procedimento veio na sentença curta e inquestionável que muitas mulheres escutam todos os dias nos hospitais do ocidente:
- Se quiser esperar mais, tudo bem. Mas o bebê pode entrar em sofrimento fetal.
Nas suas próprias palavras, mesmo sendo contra a sua vontade (e aqui “vontade” talvez não signifique o mesmo que “desejo”) a cesariana foi muito linda. Ok, o bebê no útero só pode fazer “sofrimento fetal”, mas a lógica cruel e inexorável da frase do seu médico está além da razão ou mesmo da concordância. As palavras deste(a) profissional são marcadas por uma brutalidade para qual não existe escapatória: não há como questionar, discutir, argumentar ou mesmo protestar. Não há recurso: Maktub!
Aquele que, em sã consciência, se permitiria enfrentar o poder médico numa circunstância como esta que atire a primeira pedra.
O nascimento de uma criança é sempre um evento lindo. Não há porque questionar que mesmo a mais violenta das cesarianas tem como resultado final o brotar de uma vida, e que este momento em si é revestido de uma beleza acima de qualquer discussão. Não se trata, assim, de obscurecer a luminosidade fulgurante que emana de cada vida que se faz. O que nos cabe fazer é interpretar a cesariana e seus determinantes, assim como a razão pela qual uma mulher escreve um texto reclamando de algo que ela chama de “patrulhamento xiita” dos defensores do parto normal.
Este texto não é um fato isolado na Internet. Podemos colocá-lo junto com alguns textos americanos e brasileiros recentemente escritos e que contém a mesma lógica. O texto sobre cesariana da Fernanda Torres está na mesma linha, obedece às mesmas premissas e chega ao mesmo ponto. Estes textos todos são escritos por pessoas que reclamam de algo que elas imaginam ser um “excesso de correção”. Possuem a mesma tonalidade das mensagens que criticam os “chatos antitabagistas”, os “chatos da alimentação natural”, os “chatos do parto normal”, os “chatos da reforma agrária”, etc.
É interessante notar que quando a “mensagem” já não pode mais ser racionalmente combatida as queixas se dirigem imediatamente aos “mensageiros”. Nesta etapa do amadurecimento das idéias – e do montante de informações e evidências – já não cabe mais se contrapor ao mérito de tais questões: não há mais espaço para defender o cigarro, a cesariana desmedida, o latifúndio improdutivo ou a comida ‘lixo’ que enfiamos goela abaixo. Entretanto algumas pessoas se irritam com a pressão que a sociedade exerce para que elas construam para si – e para os que as cercam – atitudes conscientes, positivas, saudáveis e ecologicamente determinadas.
Ao mesmo tempo em que estas pessoas tentam se contrapor à avalanche de dados, pesquisas e evidências que mostram a correção destes postulados, elas não suportam serem cobradas quanto à uma mudança de postura. Sentem-se amordaçadas pelo “politicamente correto”. Claro que existem chatos, e até entre os que defendem o parto natural, mas os chatos “ecologicamente corretos” são em número infinitamente menor do que aqueles que vomitam fumaça, MacDonalds ou cesarianas injustificadas na sua cara sem a menor cerimônia ou pudor. Para cada “chato do parto humanizado” existem 10 pessoas chatas e inconvenientes que debocham de quem ganha filhos “como bicho”. Estas são em número muito maior, mas como estão nadando no ‘mainstream’ não parecem fazer tanto barulho.
“Dos rios dizemos violentos, mas não chamamos violentas as margens que o oprimem” já dizia Bertold Brecht. Maximilian sempre me ensinou que aqueles que reclamam da barbárie da desconsideração e da indignidade da forma como conduzimos o nascimento humano no ocidente dizemos serem “chatos” e “xiitas”, mas não chamamos de violentos aqueles que, através do silêncio ou do escárnio, colaboram para a destruição sistemática do feminino na nossa cultura. Ele se insurgia contra essa injustiça e essa cegueira auto-induzida.
A verdade é que este texto, assim como os outros que reclamam do patrulhamento da amamentação e de outras condutas sabidamente positivas, apenas demonstra a tremenda dor que esta mulher ainda sofre por sua cesariana. Seu texto nada mais é do que uma tentativa de proteger-se através de uma “declaração antecipatória” para, caso volte a ter outra cirurgia, ela já esteja prevenida (o que é quase inevitável visto pertencer à “tropa de elite” da cesariana do Brasil – nível superior, classe média, madura e com cesariana prévia).
“Não me critiquem e não me patrulhem, e nem sequer me falem de parto normal, senão solto os cachorros de novo”.
Espero que desta vez ela possa ter um parto empoderador e maravilhoso, mas também nutro a esperança de que ela se liberte do comportamento “xiita” de patrulhar os humanistas. Para mim o texto dela descreve muito mais a ela mesma do que as mulheres cujas atitudes condena. Patrulhamento por patrulhamento, eles se igualam no dogmatismo inerte, mas pelo menos o humanístico e ecológico é mais solidário e progressista.
Beijos
Ric
PS: Ninguém é mais mãe ou mais mulher por ter feito parto normal, assim como ninguém é mais homem por possuir as duas pernas. Entretanto, valorizo o parto normal como um importante componente da história de uma mulher, tanto quando entendo como sagrada a integridade física de qualquer pessoa. (Max)

Propaganda pra criança: post antigo, debate atual

Tuesday, March 31st, 2009

Hoje um comentário nesse post ressucitou um tema recorrente na minha vida. Porque isso me tira do sério.
Pra quem tiver curiosidade e paciência pra clicar no link e ler os comentários, fica a pergunta: o que vocês consideram verdadeiras necessidades de uma criança?
Uma outra questão:  de quem vocês consideram ser a responsabilidade por controlar o que chega até as crianças: exclusiva do pais ou conjunta – pais, sociedade, Estado?
Em tempo: assistam à integra do documentário Criança, a Alma do Negócio, aqui.

Um post informativo (será?) no dia da terra

Sunday, March 29th, 2009

Como acho que o dia da terra não é só dia de apagar luzes por uma hora, mas também de aproveitar o escurinho e o momento sem TV e sem computador :-) pra refletir sobre nossa ação sobre o planeta, vou postar algo útil sobre o tema.
Adoto algumas posturas eco-conscientes, mas confesso que, em geral, apenas o que considero prático e conveniente, como separar lixo e óleo e consumir orgânicos.
Até então achava que sabia separar meu lixo: reciclável, orgânico, remédios, óleo etc, mas outro dia recebi uma informação tão detalhada sobre a separação do lixo não-orgânico, o que é e o que não é reciclável, que me achei uma ignorante. Por considerar de utilidade pública, achei interessante compartilhar:
Papel
* reciclável: caixas em geral, aparas de papel, envelopes, cartazes, papel de fax, jornais, revistas, folhas de caderno, formulários de computador.
*não-reciclável: guardanapos, etiqueta adesiva, papel carbono, fotografias, fita crepe, papéis sanitários, metalizados, parafinados, plastificados.
Vidro
* reciclável: garrafas, copos, vasos, embalagens.
* não-reciclável: espelhos, cerâmica, porecelana, tubos de TV.
Metal
* reciclável: latas de alumínio (bebidas), latas de produtos alimentícios (óleo, leite em pó, conservas)
* não-reciclável: esponja de aço, sucatas de reforma, canos, clips e grampos.
Plástico
* reciclável: copos de café ou água, tetrapak, embalagens PET, embalagens de margarina, material de limpeza, material de limpeza, canos e tubos, sacos plásticos em geral.
* não-reciclável: cabo de panela, tomadas, embalagem laminada de biscoito.
Mas o melhor, gente, continua sendo consumir menos e questionar. A releitura dos três R´s continua válida: repensar, recusar e, só quando realmente for necessário consumir, então reciclar.

Ah, os filhos…

Tuesday, March 24th, 2009

Coração de mãe quase não aguenta. Ouvir meu pinguinho de gente cantando esse lindo agradecimento pelo alimento:
“Terra que esses frutos deu
Sol que os amadureceu
Nobre sol, nobre terra
Jamais os esqueceremos
Um* apetite para todos nós
Que esse alimento nos dê saúde”

*ela canta “um” apetite em vez de bom apetite. Nem corrijo de tão fofo que acho essas virundices infantis.

Quem se preocupa como futuro da humanidade?

Thursday, February 19th, 2009

Li no blog O Futuro do Presente:
“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.”
Chico Xavier

Isso faz todo sentido pra mim, e logo que li me lembrei de um argumento que ouvi – e li – diversas vezes nos últimos tempos quando se discute as opções de se ter ou não se ter filhos, debate que ganhou espaço com o lançamento do livro Quarenta Razões para Não Ter Filhos e que rendeu muita polêmica, inclusive no blog do Desabafo de Mãe. Eu mesma no calor do debate dei meu pitaco aqui, e vejo que passado um ano e meio minha opinião é exatamente a mesma.  Me lembrei desse argumento justamente pelo fato de a citação de Chico Xavier ir certeira de encontro a ele: o argumento de que ter filhos é anti-ecológico. O que, para mim, não faz o menor sentido, já que o futuro do planeta depende também da existência de gerações futuras. E que essas gerações sejam de homens e mulheres mais conscientes e evoluídos do que os que estão aqui. Para isso, em primeiro lugar, é preciso concebê-los, gerá-los, parí-los e criá-los. Em segundo lugar que isso tudo seja feito com consciência.
Se, por um lado, acho válido que as pessoas hoje possam sem pressão fazer essa opção, afinal ter um filho por imposição da sociedade ou qualquer outra motivação frágil não vale à pena, por outro acho uma pena que as pessoas usem um argumento desse tipo, que na verdade parece encobrir outras razões não tão nobres quanto essa à primeira vista parece ser. Longe de mim julgar os que assim se posicionam, mas definitivamente não acredito nisso. Não em não ter filhos como opção, mas nesse argumento.
O estado atual das coisas – do planeta, da humanidade, das relações humanas – é resultado de gerações de humanos marcadas por sérios problemas. Da atual, podemos citar o individualismo, o consumismo, a eterna busca pelo prazer imediato e a falta de afeto. E para se criar filho é preciso de compromisso, doação e muito amor. Algo que exige muito de quem se aventura, é como andar numa corda bamba, ter que lidar com questões e medos, aprender entre outras coisas. Mas, por outro lado, rende muitos frutos e é, por que não dizer, desafiador. Se nos permitirmos embarcar de cabeça, corpo e alma nessa experiência, descobrimos que as crianças têm muito a nos ensinar e nos ajudam a crescer, a evoluir. Se estivermos atentos, é claro. Nós fazemos muito por eles, mas eles também fazem muito pela gente. Estou nesse caminho, e a cada dia me assombro com o que aprendo sobre a vida e sobre mim mesma através da maternidade.
Comecei com a bela frase de Chico Xavier e termino com a linda frase que veio com a delicada embalagem de bem-casados que recebemos como lembrança das bodas de ouro dos pais de uma amiga:
“Todos os nossos atos sejam feitos com amor”
I Coríntios 16:14

Raising Generation Pax

Monday, December 29th, 2008

“O universo nos proporciona um meio poderoso para criar paz: a forma como trazemos nossas crianças à vida. Importantes idéias sobre a influência de nossos pensamentos e atitudes, aliadas a pesquisas de ponta, nos oferecem a oportunidade de realizar mudanças fundamentais através da concepção, gravidez e parto conscientes – para assim trazermos ao mundo indivíduos criados para a paz.
A maioria de nós almeja um planeta pacífico e ecologicamente sustentável onde nossos bisnetos poderão crescer. Mas esse objetivo parece estar longe de ser alcançado.

De acordo com um estudo realizado em conjunto por Harvard e pela OMS, os Estados Unidos sofrem com o maior índice de depressão (9.6%, representando portanto mais do que 9 a cada 100 pessoas) entre os 14 países que fizeram parte da pesquisa, incluindo o Líbano (6.6%) e a Nigéria (0.8%), países arrasados por guerra e extrema pobreza, respectivamente. O uso de anti-depressivos e outras drogas psicotrópicas por crianças em idade escolar (e pré-escolar!) aumentou de forma gradativa e constante na última década. Suicídio se tornou a terceira principal causa de morte entre os jovens de 15 a 24 anos, e seu índice dobrou na faixa de 5 a 14 anos.
Estamos no caminho errado.
A idéia de que os pais tem influência fundamental e definitiva sobre a saúde sócio-emocional de suas crianças decididamente não é politicamente correta. A idéia de que, nesse tema, existe um ideal a ser buscado pelo bem da humanidade também não é politicamente correta, pois pode gerar culpa. No entanto, a mentalidade que, em oposição, isenta os pais de responsabilidade, acaba por criar desempoderamento e falta de esperança.
Dotty Coplen escreve em Parenting for a Healthy Future, “Quanto mais consciência tivermos das consequências futuras do que fazemos hoje, e a intenção por trás da ação, mais sucesso obteremos na criação de nossos filhos com propósitos e objetivos próprios. Os pais devem ser capazes de, juntos, formar sua compreensão do que é um ser humano saudável”.
Pesquisas indicam que um ser humano saudável possui um cérebro equipado com as capacidades de auto-regualação, auto-reflexão, confiança e empatia.
O ser humano saudável deve possuir um coração capaz de empreender e ser um exemplo de paz, uma mente capaz de inovar e trazer soluções novas para os desafios ecológicos e sociais que o planeta enfrenta e a força de vontade para implementá-las. Esse ser humano não é de forma alguma fruto exclusivo de uma genética pré-definida e imutável, mas sim resultado de uma interação dinâmica entre genética e ambiente – sendo os pais influência fundamental na variante “ambiente” dessa equação.
As capacidades necessárias para se obter um estado psicossocial ideal – ou ao menos aceitável – são criadas através de relações harmoniosas e consistentes com poucos e seletos adultos no período crítico dos três primeiros anos de vida. A situação oposta não é necessariamente representada por situações extremas de abuso, mas de negligência não intencional, comum quando os pais estão sobrecarregados com trabalho, problemas ou quando não tem apoio.
Por favor ouçam-me com atenção: não se trata de atribuir ou provocar culpa em pais que estão fazendo o melhor que podem no momento, mas sim de provocar o despertar para novas informações, com compaixão, que poderão proporcionar uma melhor compreensão de nós mesmos e da nossa própria história: todos já fomos, um dia, bebês e crianças! Trata-se do mistério da nossa própria divindade .”
(tradução livre de trecho da matéria Raising Generation Pax, de Marcy Axness, na revista Pathways to Family Wellness, edição de junho de 2008. A matéria original, na íntegra e em inglês, pode ser encontrada aqui. Marcy Axness é PhD, especialista em fertilidade, psicologia pré e perinatal e adoção, e está para lançar o livro Raising Generation PAX: The Science of Peace and Parenting, cujo tema, por óbvio, é o mesmo dessa matéria)

Blogagem coletiva: Natal Sustentável

Wednesday, December 10th, 2008

A Sam está convocando para uma blogagem coletiva: Natal Sustentável. Oportuno e imprescindível. Ando sem tempo e sem inspiração, mas sem dúvida postarei.
A histeria coletiva dessa época do ano, que aliás a cada ano parece ficar pior, me dá “abuso”. Sério, só compro coisas pra Pipoca e pra caridade. Não dou presente pra ninguem, exceto pra algumas crianças próximas e cesta de Natal para as colaboradoras. Ah, a secretária do meu marido faz aniversário dia 26, então compro presente pra ela também.
Pisar em shopping é tortura, o trânsito da cidade está caótico – hoje demorei mais de 1 hora entre Barra e Zona Sul, de táxi bandeira dois, o que fez doer no bolso. E ainda fiquei irritada com o papo do taxista, reclamando da crise, que a coisa tá feia esse ano, que as pessoas não estão comprando etc. Primeiro porque acho que seria bom se comprássemos menos, segundo porque não acredito na crise da forma como mídia e empresários estão pintando. Tem crise sim, tenho amigos empresários que me contam coisas em que acredito, mas sei que as coisas não são como o Jornal Nacional quer que a gente pense que são. Até os enfeites de Natal estão sem graça pra mim esse ano, nem tenho levado Pipoca aos lugares onde tem os enfeites que ela gosta.
De bacana mesmo, nessa época, só algumas confraternizações (algumas!), doação de tempo, dinheiro e energia pra quem precisa e nossos pequenos rituais, como montar presépio. Já estão lá os reinos mineral e vegetal, no domingo próximo colocaremos os animais. Eu e Pipoca já fizemos duas ovelhinhas.
Paira no ar uma enegia nervosa, estranha, que me leva a crer foertemente na urgência de resgatarmos o verdadeiro espírito de Natal – amor e consciência – e pararmos pra pensar onde essa insanidade toda vai nos levar. Convite à reflexão: participe da blogagem coletiva!

Consumo consciente

Tuesday, December 9th, 2008

Acontece nesta terça-feira (09/12), das12h30 às 13h30, o videochat sobre consumo consiente, com Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu. Aproveitando a chegada do Natal, o especialista irá discutir como os consumidores podem influenciar o mercado e as empresas para que acelerem a jornada em direção à sustentabilidade e trará dicas sobre como fazer uma comemoração mais sustentável.
Para participar, é só acessear www.bancoreal.com.br/sustentabilidade e clicar no banner do Videochat.
Eu adoraria participar, mas infelizmente tenho compromissos maternos e dentista. Fica, de qualquer forma, para quem puder, a indicação que recebi da Sam e que achei valiosa.

Algumas notas sobre o XVIII Encontro de Gestação e Parto Natural Conscientes

Tuesday, November 25th, 2008
O XVII Encontro de Gestação e Parto Natural Conscientes, o segundo que tenho oportunidade de assistir, foi enriquecedor em todos os sentidos. Admiro muito a Fadynha que, com o o apoio de outras pessoas maravilhosas que militam na causa, mesmo enfrentando dificuldades financeiras e de patrocínio, realiza anualmente esse encontro imprescindível. Assisti a apenas algumas mesas e palestras, infelizmente, mas posso dizer que do pouco que vi muito aproveitei. Abaixo, compartilho com quem tiver paciência de ler algumas impressões e reflexões sobre o que foi debatido e discutido nas mesas e palestras em que pude estar presente.
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Na mesa que discutiu a cesariana anunciada, o obstetra gaúcho Ricardo Jones falou algo muito interessante: na primeira consulta com uma gestante ele já percebe quando se trata de uma cesárea anunciada. A atitude da mulher que se apresenta de forma subserviente diante de seu médico, que não se considera dona de seu corpo e responsável pelas decisões em relação a ele e a seu parto parece ser o maior indicativo de cesárea, porque vem antes de qualquer critério ou condição física que ela venha apresentar durante a gravidez que possa vir a impossibilitá-la de ter um parto natural. Vem, aliás, de antes dela engravidar. Porque nascemos, crescemos e vivemos sob uma cultura que considera o parto um ato médico, e atribui aos médicos uma autoridade que os torna praticamente deuses – aliás muitos deles assim mesmo se consideram. Em outras palavras, a ATITUDE da mulher é determinante. Precisamos nos apoderar de nosso corpo e nos empoderar para que possamos assumir uma responsabilidade que desde sempre deveria ser nossa e de mais ninguem.
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Esse palestrante também levou muita gente às lágrimas ao apresentar um vídeo mostrando o trabalho de parto e o parto de uma paciente sua, ao som do “Rei”. A Pipoca estava comigo nesse momento e prestou a maior atenção ao filminho, aprendendo assim que o bebê sai da barriga pela “perereca”. Inspiradíssma, munida do bloco e da esferográfica que dei para distraí-la um pouco, fez o desenho da foto acima: uma mãe “com cabeça de ovo” e seu bebê.
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Numa outra mesa, a médica sanistarista e representante do Ministério da Saúde Daphne Rattner falou sobre a diversidade no parto. Citou normas infra-legais que regulamentam a situação de índias atendidas em hospitais na região centro-oeste, a fim de que os profissionais que as assistem possam, sem comprometer as normas sanitárias, respeitar suas culturas, entregando a elas suas placentas, que serão enterradas em locais considerados sagrados de acordo com o costume de suas tribos. Outro povo com costumes bem peculiares, citados pela palestrante, foi o Inuit, que habita a região norte do Canadá. Achei sua fala muito interessante porque falamos e ouvimos falar tanto em nascer e parir, e também fala-se tanto em diversidade por aí, mas eu nunca tinha pensando a respeito dela nessa dimensão. E se diversidade há que ser respeitada sempre, imaginem então num momento tão importante e determinante como o nascimento e o parto?

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Um dos palestrantes comentou – infelizmente não me lembro qual agora, nem em que contexto surgiu esse comentário – a respeito de nossa expectativa equivocada diante das coisas: os jornais selecionam com cuidado as informações que querem que cheguem até nós. Tem muitas coisas boas acontecendo, e de grande parte delas – a grande maioria, infelizmente – não ficamos sabendo. Essa é uma grande verdade, e até passou pela minha cabeça uma ideia que, quem sabe o dia, pode vir a se concretizar: criar um blog de notícias boas. Porque se a gente abre o jornal ou liga a TV num telejornal, ou mesmo na internet, a gente só se depara com notícias ruins, tragédias, o que nos leva a viver com medo, muitas vezes até em pânico mesmo. A humanidade vive, dizem, uma depressão coletiva, é a cultura do medo que nos domina. Um canal que leve ao conhecimento das pessoas as coisas boas que acontecem por aí não seria interessante? Material para reflexão…
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O tema do Encontro desse ano foi Nascimento na Luz da Simplicidade, e a questão do consumismo por motivos óbvios não poderia ser deixada de lado. Parto e consumo à primeira vista podem parecer coisas meio desconexas, mas se pensarmos só um pouquinho perceberemos que elas têm muito a ver. Num post que escrevi outro dia citei um comentário da Laura Uplinger (de quem sou fã, aliás), que participou dessa mesa inspiradíssima, mas vou me repetir, porque nada do que ouvi pode resumir melhor a questão: se lançarmos uma bolinha de mercúrio sobre uma mesa ela se espalhará, mas se a mesa estiver limpa será fácil reagrupá-la; se, no entanto, na mesa houverem outras matérias, por menor que sejam elas – como poeira -, essa será uma tarefa impossível. Ela pretendia, com essa analogia, mostrar como é estreita a relação entre unidade e simplicidade. E assim é o consumo patológico: compramos mais e mais e nunca nos satisfazemos, porque embora tenhamos muito estamos vazios por dentro. Porque roupas, sapatos, relógios, jóias, eletrônicos e todas sorte de coisas que somos encorajados a comprar e compramos compulsivamente não nos preenche, e entramos num círculo vicioso do qual dificilmente conseguimos sair. Por que meditar nutre? Porque é no mínimo uma tentativa de nos esvaziarmos, e é nesse vazio, na simplicidade, enfim, que chegamos perto da unidade, e nos aproximamos de Deus. Menos é mais: é ecologicamente correto, faz bem a nossa saúde mental, fortalece e enriquece espiritualmente. Uma mulher que estava presente, provavelmente profissional da área de saúde e engajada na causa, fez um comentário belíssimo e apaixonado ao fim dessa mesa, questionando mesmo a necessidade dos três R´s (reduzir, reutilizar e reciclar) e propondo uma nova leitura: repensar, recusar e, só quando realmente for necessário consumir, então reciclar.
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Preciso deixar registrado, por fim, que a Pipoca assistiu comigo a palestras e mesas de debates nas manhãs de sexta e sábado e, contra todas as expectativas, se comportou como uma lady. E o mais impressionante de tudo é que TO-DAS as crianças presentes no evento – algumas lá estiveram até durante dias inteiros! – ficam comportadíssimas. Será que elas captam a energia das pessoas que ali estão, todas unidas em prol de uma causa tão importante e bacana? Realmente estar ali não é apenas enriquecedor do ponto de vista intelectual – o que já seria muito, afinal entre os palestrantes há profissionais preparadíssimos e brilhantes, que tem muto a ensinar – é sobretudo revigorante. Saio de cada mesa de debates ou palestra com a alma lavada e o coração cheio de esperança. Conhecendo, ainda, a dificuldade financeira que as entidades envolvidas e as pessoas que fazem o Encontro acontecer todo ano enfrentam, posso dizer que trata-se de uma causa que envolve AMOR, FÉ e ESPERANÇA EM UM FUTURO MELHOR.<
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Campanha

Friday, November 21st, 2008


Por um futuro melhor para a humanidade e para o planeta. Parabéns à Tais, criadora das peças, pela inspiração e iniciativa.

Fotos do fim de semana: uma que eu desejaria nunca postar

Monday, November 3rd, 2008

A poluição nas lagoas e canais da Barra da Tijuca é aalgo assustador. Um absurdo não só os condomínios não tratarem seu esgoto, como também os moradores atirarem o lixo diretamente neles. Se o homem, capaz desse tipo de coisa, não merece respeito, ao menos a fauna e a flora local merecem. Tenho uma tendência a evitar falar sobre coisas tristes aqui, mais ainda em relação às fotos que eu tiro, mas fiquei tão revoltada com a cena que senti vontade de compartilhar minha imensa tristeza aqui.

Chris Jordan photography

Wednesday, October 1st, 2008


Recebi por email algumas das fotos da série Intolerable Beauty – Portraits of American Mass Consumption. Montanhas de sacos plásticos, celulares, automóveis batidos, lixo eletrônico…ESTARRECEDOR.
Nessas horas me questiono: como pode se falar tanto em crescimento econômico, se para crescermos nos níveis desejados pelo mundo capitalista é preciso aumentar ainda mais o consumo e, com ele, o desperdício e o lixo?
Onde vamos parar assim?
* Foto: Chris Jordan, celulares descartados