“(…)Freedom of conscience is protected under the doctrine of informed consent, which specifically protects the right to decline. For informed consent to be valid, a decision must not be coerced.”
(Peggy O’mara, em sua coluna na Mothering Magazine desse bimestre)
Só agora fui ler a Mothering desse bimestre (March-April issue), e adorei o tema abordado pela editora Peggy O’mara, que permeia nossa vida de forma bem ampla, não se aplicando apenas quando se trata de filhos e maternidade: a liberdade de tomarmos decisões conscientes e informadas. A polêmica na verdade não se restringe a bate-boca em listas de discussão e blogs, mas em alguns casos assume proporção tal que acaba em tribunais ou se torna questão de saúde pública. Infelizmente não tenho como linkar o texto, já que a revista não disponibiliza suas matérias digitalmente.
Estou citando a matéria aqui apenas porque lê-la só reforçou minha crença na importância de lutarmos pela liberdade de tomar decisões, e questionar sempre. Porque começamos a ser privados de liberdade desde muito cedo: da forma como nascemos, de acordo com a conveniência dos médicos – aqueles que, por puro medo, acreditamos saber o que é melhor pra nós. Depois quando temos nossa infância roubada pela intelectualização precoce e pela mídia. TV e publicidade ditam nossos gostos e interesses, acabando com a criatividade e, por que não dizer, manipulando e moldando. Nos tornamos logo pequenos robôs consumistas. Passamos a infância a juventude estudando por obrigação, em escolas que nos usam pra vender seus “produtos para nossos pais”. Somos obrigados a decorar o que “cai no vestibular” e muitas vezes jamais conhecemos o prazer em adquirir conhecimento. E depois somos obrigados a escolher uma carreira aos 16, 17 anos quando, salvo raras exceções, não fazemos a menor idéia do que queremos da vida. Passamos por um processo de seleção estúpido, conveniente a alguns, conhecido como vestibular, e seguimos nossa instrução formal em faculdades que não muito se distinguem dos ensinos fundamental e médio. E quando nos tornamos mães a pais, quanta coisa nos é imposta! A cultura do medo tem ainda mais força quando se trata de nossos filhos. Os pais que optam por parto domiciliar, por não vacinar seus filhos, por não abrir mão de uma educação tradicional, entre outras coisas, são considerados irresponsáveis.
Não se trata de defender aqui nenhuma dessas posturas, até porque a não ser pela última não foram opções que fiz como mãe até o momento. Quero apenas defender a liberdade de tomar decisões de esfera privada sem ter que nos submeter aos interesses da midia, da indústria farmaceutica e de outros mais, sempre camuflados como intereses em nome do bem comum. Parece um post “teoria da conspiração”, mas até nisso é preciso liberdade para avaliar: trata-se de teoria da conspiração mesmo? Talvez, talvez em parte, talvez não. A verdade é que poucos têm consciência das influências perversas que sofrem ao tomar decisões em suas vidas, das mais cotidianas às que realmente importam.
***
Quero aproveitar também pra linkar aqui minhas respostas a 10 perguntas sobre a busca e a escolha de escola, postadas no Futuro do Presente há alguns dias. Ninguem entrou no debate ainda, mas continua aberto e a troca de idéias é sempre bem-vinda.
Archive for the ‘consumo’ Category
Liberdade para decidir e um link
Wednesday, April 22nd, 2009Publicidade – Spot Flex, “Waira” parto “El lugar más importante del mundo”
Sunday, April 19th, 2009Uma família, uma casa, um novo membro chegando. Nascimento no conforto do lar, na cama dos pais. Lindo, não? Eis uma propaganda de colchão.
Detesto as apelações a que recorrem os publicitários. Eles sempre tem mil justificativas, mas tem limite. Ao menos deveria.
Há quem ache exagero posições como a minha, eu mesma me pergunto mil vezes se não é. Mas não adianta. Sinceramente, não gostei.
E vocês? Assistam e me contem o que acharam.
Propaganda pra criança: post antigo, debate atual
Tuesday, March 31st, 2009Hoje um comentário nesse post ressucitou um tema recorrente na minha vida. Porque isso me tira do sério.
Pra quem tiver curiosidade e paciência pra clicar no link e ler os comentários, fica a pergunta: o que vocês consideram verdadeiras necessidades de uma criança?
Uma outra questão: de quem vocês consideram ser a responsabilidade por controlar o que chega até as crianças: exclusiva do pais ou conjunta – pais, sociedade, Estado?
Em tempo: assistam à integra do documentário Criança, a Alma do Negócio, aqui.
Um post informativo (será?) no dia da terra
Sunday, March 29th, 2009Como acho que o dia da terra não é só dia de apagar luzes por uma hora, mas também de aproveitar o escurinho e o momento sem TV e sem computador
pra refletir sobre nossa ação sobre o planeta, vou postar algo útil sobre o tema.
Adoto algumas posturas eco-conscientes, mas confesso que, em geral, apenas o que considero prático e conveniente, como separar lixo e óleo e consumir orgânicos.
Até então achava que sabia separar meu lixo: reciclável, orgânico, remédios, óleo etc, mas outro dia recebi uma informação tão detalhada sobre a separação do lixo não-orgânico, o que é e o que não é reciclável, que me achei uma ignorante. Por considerar de utilidade pública, achei interessante compartilhar:
Papel
* reciclável: caixas em geral, aparas de papel, envelopes, cartazes, papel de fax, jornais, revistas, folhas de caderno, formulários de computador.
*não-reciclável: guardanapos, etiqueta adesiva, papel carbono, fotografias, fita crepe, papéis sanitários, metalizados, parafinados, plastificados.
Vidro
* reciclável: garrafas, copos, vasos, embalagens.
* não-reciclável: espelhos, cerâmica, porecelana, tubos de TV.
Metal
* reciclável: latas de alumínio (bebidas), latas de produtos alimentícios (óleo, leite em pó, conservas)
* não-reciclável: esponja de aço, sucatas de reforma, canos, clips e grampos.
Plástico
* reciclável: copos de café ou água, tetrapak, embalagens PET, embalagens de margarina, material de limpeza, material de limpeza, canos e tubos, sacos plásticos em geral.
* não-reciclável: cabo de panela, tomadas, embalagem laminada de biscoito.
Mas o melhor, gente, continua sendo consumir menos e questionar. A releitura dos três R´s continua válida: repensar, recusar e, só quando realmente for necessário consumir, então reciclar.
Tenho amigas virtuais talentosas
Saturday, March 14th, 2009

Conheci, através do blog, duas mulheres que fazem trabalhos muito bacanas: Bruna, que está começando a vender seus lindos trabalhos de patchwork e costura – Patch & tudo – e Ana de Toledo, que nos brinda com fotos antigas do Rio e imagens maravilhosas em seu blog, e seus imãs, que aliás eu já conhecia muito antes de sonhar em ter blog e de conhecê-la – Copacabana de Toledo.
Não vou ficar de blá-blá-blá não, as fotos são auto-explicativas.





Qual é seu estilo?
Friday, February 20th, 2009O mais bacana da blogosfera pra mim é que ela proporciona troca de ideias e novos relacionamentos, ainda que virtuais. Assim, acabamos conhecendo pessoas virtualmente. Quando essas relações virtuais não passam para o plano real, ou ao menos enquanto não, algumas pessoas “conhecemos” por foto, outras nem isso.
Daí que estou escrevendo tudo isso porque me bateu uma tremenda curiosidade. De conhecer mais vocês, que vem aqui e gastam seu precioso tempo lendo as bobagens e as coisas sérias que eu escrevo, e vendo minhas fotos. Talvez haja até alguns que aparecem aqui sem comentar, será? Por isso, pergunto: qual o estilo de vocês?
Eu tenho um pouco de dificuldade de me definir quando se trata de estilo. Mas posso contar algumas coisas sobre mim: adoro coisas artesanais e designs originais. E isso que vou escrever a seguir vale pra tudo: adoro coisas belas, considero beleza nutrição para a alma. Por isso, embora me vista de forma bem simples, não resisto a peças ou acessórios quando acho bonito. Detesto tudo que vira moda, e quando tenho algo que por acaso vira perco a vontade de usar. Não sou ligada em marcas, grifes, embora tenha minhas lojas favoritas. Nenhuma delas muito caras. Há até algumas caras cujo design me agrada, mas raramente compro algo muito caro, até porque não tenho dinheiro pra isso. Detesto dourado, mas gosto de jóias de ouro branco prata. Diferente da grande maioria das mulheres, não compro muitos sapatos! Adoro os meus, que não são muitos, e costumo usar até furar a sola. Já cheguei a reformar sapatos que amei, um deles duas vezes! Apesar de ser baixinha, parei de usar salto quando parei de trabalhar e, quando a ocasião pede, sofro muito. Há alguns naos adquiri o hábito de não pentear nem escovar meu cabelo e adoro ele curto, mas como não conheço nenhum cabelereiro aqui no Rio que corte meu cabelo curto do jeito que gosto, passei a usar um pouco mais comprido, e agora deixei crescer mais pra poder usar rabo-de-cavalo quando o cabelo acorda muito bagunçado. Com o cabelo mais compridinho, voltei a pentear, mas somente depois que lavo. Cuido da minha pele, vou a dermatologista, uso produtos, alguns até caros. Sofro com acne desde a adolescência, por isso preciso ser muito cuidadosa. Ultimamente tenho usado muito vestidos larguinhos, tanto pelo conforto quanto pra disfarçar os quilinhos a mais. Quilinhos esses que, aliás, pretendo perder, só falta força de vontade.
Então, agora me contem um pouco sobre vocês, estou curiosa!
Fotos do fim de semana: poltronas
Saturday, February 7th, 2009I’m in love.

Resultado do debate
Monday, December 22nd, 2008
O ano vai chegando ao fim e encerramos nosso debate Qual o brinquedo que seu filho mais gosta?, realizado em parceria com o Desabafo de Mãe, que por sua promoveu o concurso É Hora de Brincar!, e com os demais blogs integrantes do Mulheres na Rede: Luana Menezes, Lu Ivanike, Ana Laura, Simone Miletic, Graziela e Ana Cláudia Bessa.A discussão aqui foi muito enriquecedora e a conclusão a que chegamos foi que criança gosta mais da caixa que embala do que do próprio brinquedo! E não importa se caro ou barato, o que importa é que o brinquedo estimule a imaginação de nossas crianças.
E apesar de estarmos tratando de brincadeiras, também concluímos que o assunto é muito sério e preocupa muitas mães e pais que, felizmente, estão abertos ao debate e ao a aprendizado que ele pode proporcionar, em busca do melhor para seus filhos e suas famílias.
Por isso, o comentário mais interessante e portanto vencedor do debate, que vai levar pra casa o DVD Amizade, da Coleção MPBaby, da MCD, foi o da Bruna: “brincar é coisa séria!” Ela ainda não tem filhos humanos, mas tenho certeza que vai adorar as cantigas de roda interpretadas no violão por Reginaldo Frazzato Jr.
Parabéns Bruna, e obrigada a todas que participaram, à mulherada do Mulheres na Rede e à querida Ceila, do Desabafo de Mãe.Blogagem coletiva sobre consumo consciente: falando sobre responsabilidade
Tuesday, December 16th, 2008#ESSE POST FAZ PARTE DA BLOGAGEM COLETIVA CONSUMO CONSCIENTE PROMOVIDA PELO BLOG A VIDA COMO A VIDA QUER #
Época de Natal, o consumismo patológico fica mais escancarado do que nunca, ainda mais se sobrar tempo – e tranquilidade – para lembrarmos do verdadeiro espírito de Natal.
Falar em consumo está na moda, felizmente, e é um tema que realmente precisa ser debatido. A coisa mais interessante que ouvi nos últimos tempos a respeito, num evento de que participei, foi uma singela releitura dos três R’s (reduzir, reutilizar e reciclar): que tal recusar, repensar e, só se realmente houver necessidade de consumir, reciclar? Achei interessante porque é preciso sempre questionar o status quo. Evoluímos, estamos mais conscientes, mas é preciso mais, é preciso refletir, procurar sempre enxergar as coisas sob outros ângulos e viver numa constante reavaliação de nossas atitudes.
Mas não quero falar, nessa blogagem coletiva, sobre as ações pontuais que podemos adotar por um Natal mais consciente e sustentável. Quero falar de ações de médio e longo prazo. Motivada pelos resultados de algo que semeio, que já começam a aparecer, quero falar sobre ações relacionadas à criação de nossos filhos. Vou voltar a bater na mesma tecla, mas é oportuno.
Crianças e consumo, tema espinhoso e polêmico, mas que deveria estar sendo debatido em todas as casas. Infelizmente os principais alvos da propaganda são nossos filhos, que são também as principais vítimas, afinal eles ainda não tem condições de avaliar o que chega até eles pelos mais diversos meios e a todo momento, enquanto nós, adultos, ao menos em tese temos algum discernimento. As crianças hoje não escolhem o que querem comprar, pedem o que as propagandas determinam. Vide o documentário Criança, a Alma do Negócio.
Numa ocasião, ao defender a proibição de propaganda para crianças, ouvi de um publicitário que proibir ou regulamentar, medidas que são vistas com naturalidade em diversos países, seriam um cerceamento à liberdade: censura. Ouvi desse mesmo sujeito que os pais é que são os responsáveis por controlar o que chega a seus filhos. A primeira coisa que passou pela minha cabeça diante dessas atrocidades foi: controlar como, se os pais em geral não ficam ao lado dos filhos 100% do tempo e a propaganda chega às crianças através não só da TV, mas das escolas, da internet, nos DVD´s – sem opção de pular direto para o menu -, nas ruas, o tempo todo? Usando as mais variadas técnicas, quase uma hipnose, uma covardia! A segunda questão que me veio, essa ainda mais difícil de ser respondida, foi a seguinte: como alguem pode realmente acreditar que cada pai ou cada mãe é exclusivamente reponsável pelo futuro de uma criança? E a responsabilidade da sociedade? E do Estado? E da comunidade em que a família está inserida? É mais ou menos como dizer: dane-se o planeta, as gerações futuras que se virem pra sobreviver num lugar inabitável graças às ações dos que vivem nele no presente. Cada um por si, salve-se quem puder. Nossas ações não servem apenas para começar a salvar o planeta, mas vão muito além: são a semente para a ação dos homens e mulheres de amanhã – nosso filhos – e consequentemente das gerações que habitarão o planeta no futuro.
Os pais tem, sim, muita reponsabilidade, podem e devem, entre outras medidas, proibir a TV, como eu mesma faço em casa. Mas precisamos de APOIO. Porque criar filho não é uma tarefa nada fácil, e ao mesmo tempo é uma missão importantíssima, que merecia ser mais valorizada. Penso que falta consciência a muitos pais, mas também àqueles que tem poder. Não me refiro aqui ao poder do Estado, de governar, legislar e julgar, mas o grande poder de quem tem voz e meios para alcançar as pessoas, poder de influenciar, portanto de mudar o curso da história. Felizmente não falta consciência a todos, infelizmente ainda falta a muitos. Por isso venho defender, nessa blogagem coletiva, não apenas que comecemos já a aplicar em nossas vidas, na medida em que pudermos, uma atitude mais consciente, mais ecológica e mais responsável na criação de nossas crianças, mas que também lutemos por apoio. Porque o assunto é sério demais pra adotarmos uma filosofia “cada um por si”. Precisamos de apoio, e isso é urgente.
Nosso final de semana e a semana que começa
Monday, December 15th, 2008
Esse final de semana foi uma correria.
Na 6a. a noite fomos assistir ao espetáculo Suite Quebra Nozes, promovido pelo Rio Sul numa parceria com o Teatro Municipal do Rio, que está em obras até meados de 2009. O espetáculo não vende ingressos, é parte de uma promoção do shopping para o Natal – o sujeito que a concebeu, aliás, foi brilhante, porque até pessoas que, como eu, não frequentam o shopping, optaram por fazer compras lá pra conseguir os ingressos. Loucura minha e da minha mãe, mas o Municipal tinha que fechar justo no ano que eu ia apresentar o Quebra Nozes pra minha pequena bailarinha?
Enfim, detestei o local da apresentação e senti falta de algumas partes do balé, especialmente os flocos de neve, pois a apresentação foi apenas do segundo ato – Clara no Reino dos Doces. Mas foi bacana, produção digna do Municipal. O som estava legal, apesar de não ter orquestra. E no final das contas foi realmente bom ver uma versão compacta, afinal pra Pipoca aguentar um balé inteiro seria demais. Ela AMOU. Queria dançar também…a criatura se acha mesmo bailarina.
Depois, estresse: 40 minutos pra sair do shopping. Ninguem merece a cidade nessa época do ano.
No sábado fomos a um shopping perto de nossa casa velha, pra Pipoca curtir o tobogã de natal que montaram lá. E tb pra ela ver uma amiga – a garçonete de um café que costumávamos frequentar. À noite, festinha de um ano de uma bebê querida, Pipoca se divertiu muito.
No domingo fomos almoçar com meus pais e à noite tinha visita do Papai Noel no condomínio onde estamos morando. O chato foi que não nos avisaram que os pais deveriam providenciar o presente que o Papai Noel entregaria a seu filho e nós, ingênuos que somos nesse assunto, nem nos ligamos de questionar isso. Quando ele começou a tirar presentes do saco e chamar as crianças, uma a uma, pelo nome, gelamos. Pipoca olhou pra gente e perguntou: eu vou ganhar presente? meu marido subiu correndo no apartamento, pegou no alto estante da minha comadre (a dona do apartamento) um coelhinho de pelúcia que cabe na palma da minha mão, colocou num saco de papel com o nome da Pipoca, desceu e depositou discretamente no saco do Papai Noel, felizmente a tempo. Na hora em que ele a chamou e que ela abriu o pacotinho, a carinha de felicidade foi impagável. E pediu pra falar com o Papai Noel de novo, queria agradecer. Quando chegou no apartamento, colocou o coelhinho junto com outros enfeites de natal.
Minha filha não é uma fofa? Se pararmos pra pensar, criança precisa de muito pouco pra ficar feliz. Aliás, nós também. A vida é muito boa pra gente ficar desperdiçando com “materialidades”. Falando nisso, aliás, essa semana é de blogagem coletiva sobre consumo consciente e natal sustentável. Em breve postarei.
Blogagem coletiva: Natal Sustentável
Wednesday, December 10th, 2008A Sam está convocando para uma blogagem coletiva: Natal Sustentável. Oportuno e imprescindível. Ando sem tempo e sem inspiração, mas sem dúvida postarei.
A histeria coletiva dessa época do ano, que aliás a cada ano parece ficar pior, me dá “abuso”. Sério, só compro coisas pra Pipoca e pra caridade. Não dou presente pra ninguem, exceto pra algumas crianças próximas e cesta de Natal para as colaboradoras. Ah, a secretária do meu marido faz aniversário dia 26, então compro presente pra ela também.
Pisar em shopping é tortura, o trânsito da cidade está caótico – hoje demorei mais de 1 hora entre Barra e Zona Sul, de táxi bandeira dois, o que fez doer no bolso. E ainda fiquei irritada com o papo do taxista, reclamando da crise, que a coisa tá feia esse ano, que as pessoas não estão comprando etc. Primeiro porque acho que seria bom se comprássemos menos, segundo porque não acredito na crise da forma como mídia e empresários estão pintando. Tem crise sim, tenho amigos empresários que me contam coisas em que acredito, mas sei que as coisas não são como o Jornal Nacional quer que a gente pense que são. Até os enfeites de Natal estão sem graça pra mim esse ano, nem tenho levado Pipoca aos lugares onde tem os enfeites que ela gosta.
De bacana mesmo, nessa época, só algumas confraternizações (algumas!), doação de tempo, dinheiro e energia pra quem precisa e nossos pequenos rituais, como montar presépio. Já estão lá os reinos mineral e vegetal, no domingo próximo colocaremos os animais. Eu e Pipoca já fizemos duas ovelhinhas.
Paira no ar uma enegia nervosa, estranha, que me leva a crer foertemente na urgência de resgatarmos o verdadeiro espírito de Natal – amor e consciência – e pararmos pra pensar onde essa insanidade toda vai nos levar. Convite à reflexão: participe da blogagem coletiva!
Consumo consciente
Tuesday, December 9th, 2008Acontece nesta terça-feira (09/12), das12h30 às 13h30, o videochat sobre consumo consiente, com Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu. Aproveitando a chegada do Natal, o especialista irá discutir como os consumidores podem influenciar o mercado e as empresas para que acelerem a jornada em direção à sustentabilidade e trará dicas sobre como fazer uma comemoração mais sustentável.
Para participar, é só acessear www.bancoreal.com.br/sustentabilidade e clicar no banner do Videochat.
Eu adoraria participar, mas infelizmente tenho compromissos maternos e dentista. Fica, de qualquer forma, para quem puder, a indicação que recebi da Sam e que achei valiosa.
Algumas notas sobre o XVIII Encontro de Gestação e Parto Natural Conscientes
Tuesday, November 25th, 2008***
Na mesa que discutiu a cesariana anunciada, o obstetra gaúcho Ricardo Jones falou algo muito interessante: na primeira consulta com uma gestante ele já percebe quando se trata de uma cesárea anunciada. A atitude da mulher que se apresenta de forma subserviente diante de seu médico, que não se considera dona de seu corpo e responsável pelas decisões em relação a ele e a seu parto parece ser o maior indicativo de cesárea, porque vem antes de qualquer critério ou condição física que ela venha apresentar durante a gravidez que possa vir a impossibilitá-la de ter um parto natural. Vem, aliás, de antes dela engravidar. Porque nascemos, crescemos e vivemos sob uma cultura que considera o parto um ato médico, e atribui aos médicos uma autoridade que os torna praticamente deuses – aliás muitos deles assim mesmo se consideram. Em outras palavras, a ATITUDE da mulher é determinante. Precisamos nos apoderar de nosso corpo e nos empoderar para que possamos assumir uma responsabilidade que desde sempre deveria ser nossa e de mais ninguem.
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Esse palestrante também levou muita gente às lágrimas ao apresentar um vídeo mostrando o trabalho de parto e o parto de uma paciente sua, ao som do “Rei”. A Pipoca estava comigo nesse momento e prestou a maior atenção ao filminho, aprendendo assim que o bebê sai da barriga pela “perereca”. Inspiradíssma, munida do bloco e da esferográfica que dei para distraí-la um pouco, fez o desenho da foto acima: uma mãe “com cabeça de ovo” e seu bebê.
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Numa outra mesa, a médica sanistarista e representante do Ministério da Saúde Daphne Rattner falou sobre a diversidade no parto. Citou normas infra-legais que regulamentam a situação de índias atendidas em hospitais na região centro-oeste, a fim de que os profissionais que as assistem possam, sem comprometer as normas sanitárias, respeitar suas culturas, entregando a elas suas placentas, que serão enterradas em locais considerados sagrados de acordo com o costume de suas tribos. Outro povo com costumes bem peculiares, citados pela palestrante, foi o Inuit, que habita a região norte do Canadá. Achei sua fala muito interessante porque falamos e ouvimos falar tanto em nascer e parir, e também fala-se tanto em diversidade por aí, mas eu nunca tinha pensando a respeito dela nessa dimensão. E se diversidade há que ser respeitada sempre, imaginem então num momento tão importante e determinante como o nascimento e o parto?
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Um dos palestrantes comentou – infelizmente não me lembro qual agora, nem em que contexto surgiu esse comentário – a respeito de nossa expectativa equivocada diante das coisas: os jornais selecionam com cuidado as informações que querem que cheguem até nós. Tem muitas coisas boas acontecendo, e de grande parte delas – a grande maioria, infelizmente – não ficamos sabendo. Essa é uma grande verdade, e até passou pela minha cabeça uma ideia que, quem sabe o dia, pode vir a se concretizar: criar um blog de notícias boas. Porque se a gente abre o jornal ou liga a TV num telejornal, ou mesmo na internet, a gente só se depara com notícias ruins, tragédias, o que nos leva a viver com medo, muitas vezes até em pânico mesmo. A humanidade vive, dizem, uma depressão coletiva, é a cultura do medo que nos domina. Um canal que leve ao conhecimento das pessoas as coisas boas que acontecem por aí não seria interessante? Material para reflexão…
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O tema do Encontro desse ano foi Nascimento na Luz da Simplicidade, e a questão do consumismo por motivos óbvios não poderia ser deixada de lado. Parto e consumo à primeira vista podem parecer coisas meio desconexas, mas se pensarmos só um pouquinho perceberemos que elas têm muito a ver. Num post que escrevi outro dia citei um comentário da Laura Uplinger (de quem sou fã, aliás), que participou dessa mesa inspiradíssima, mas vou me repetir, porque nada do que ouvi pode resumir melhor a questão: se lançarmos uma bolinha de mercúrio sobre uma mesa ela se espalhará, mas se a mesa estiver limpa será fácil reagrupá-la; se, no entanto, na mesa houverem outras matérias, por menor que sejam elas – como poeira -, essa será uma tarefa impossível. Ela pretendia, com essa analogia, mostrar como é estreita a relação entre unidade e simplicidade. E assim é o consumo patológico: compramos mais e mais e nunca nos satisfazemos, porque embora tenhamos muito estamos vazios por dentro. Porque roupas, sapatos, relógios, jóias, eletrônicos e todas sorte de coisas que somos encorajados a comprar e compramos compulsivamente não nos preenche, e entramos num círculo vicioso do qual dificilmente conseguimos sair. Por que meditar nutre? Porque é no mínimo uma tentativa de nos esvaziarmos, e é nesse vazio, na simplicidade, enfim, que chegamos perto da unidade, e nos aproximamos de Deus. Menos é mais: é ecologicamente correto, faz bem a nossa saúde mental, fortalece e enriquece espiritualmente. Uma mulher que estava presente, provavelmente profissional da área de saúde e engajada na causa, fez um comentário belíssimo e apaixonado ao fim dessa mesa, questionando mesmo a necessidade dos três R´s (reduzir, reutilizar e reciclar) e propondo uma nova leitura: repensar, recusar e, só quando realmente for necessário consumir, então reciclar.
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Preciso deixar registrado, por fim, que a Pipoca assistiu comigo a palestras e mesas de debates nas manhãs de sexta e sábado e, contra todas as expectativas, se comportou como uma lady. E o mais impressionante de tudo é que TO-DAS as crianças presentes no evento – algumas lá estiveram até durante dias inteiros! – ficam comportadíssimas. Será que elas captam a energia das pessoas que ali estão, todas unidas em prol de uma causa tão importante e bacana? Realmente estar ali não é apenas enriquecedor do ponto de vista intelectual – o que já seria muito, afinal entre os palestrantes há profissionais preparadíssimos e brilhantes, que tem muto a ensinar – é sobretudo revigorante. Saio de cada mesa de debates ou palestra com a alma lavada e o coração cheio de esperança. Conhecendo, ainda, a dificuldade financeira que as entidades envolvidas e as pessoas que fazem o Encontro acontecer todo ano enfrentam, posso dizer que trata-se de uma causa que envolve AMOR, FÉ e ESPERANÇA EM UM FUTURO MELHOR.<
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