Archive for the ‘terapia’ Category

Rankings e resultados

Wednesday, April 29th, 2009

Ouvi ontem de manhã no rádio e li hoje no jornal sobre o ranking das escolas brasileiras segundo o ENEM – exame nacional do ensino médio. Conheço o ENEM mas honestamente não tenho condições de opinar sobre, na verdade nem de avaliar qual exame é melhor (ou menos pior), ele ou o vestibular. Mas o que achei interessante nisso tudo foi o comentário do Boechat, no rádio, sobre o ENEM. Um coment’ario que representa bem o pensamento insano, porem masintream, que predomina nos nossos dias quando se trata de educacao. Ele disse algo como “não há nehum aferidor melhor de  uma escola que as notas dos alunos”. Achei isso uma bobagem sem tamanho e vou contar porque.
Em primeiro lugar escolas como Sao Bento, Santo Agostinho e mesmo os colegios de aplicacao federal e estadual do Rio, tem um filtro rigoroso para admissao dos alunos. Um filtro, diria, condizente com a proposta de cada escola, qual seja: alunos potencialmente adequados ou adequaveis ao sistema, que possivelmente atingirao os resultados desejados.
Em segundo, não considero que esses alunos sejam os mais inteligentes. Nem os mais preparados para a vida. São os que melhor se adequaram ao sistema de ensino predominante hoje – baseado em decoreba e voltado pra resultados.
Para um olhar menos sensivel e atento, minha posicao pode parecer defensiva ou recalcada, mas nao e. Sempre fui uma aluna brilhante, cdf mesmo. Atingi os resultados desejados, pode-se dizer que com louvor, ingressei na faculdade de direito considerada a melhor do Rio com 17 anos recem-completados. Um historico e tanto, nao? Terminei a faculdade a duras penas, nunca advoguei, tentei mestrado mas desisti. Mas apesar de tudo acabei na maior empresa de auditoria do mundo, onde fiquei por oito anos. Segui direitinho plano de carreira da firma, cheguei a ser gerente, e era boa no que fazia. Os clientes gostavam de mim, trabalhei nos escritorios do Rio e de Sao Paulo, me destacava nos trabalhos que exigiam mais aptidao intelectual, embora detestasse as tarefas mais burocraticas. Mas o mais importante de tudo e que nao era feliz. Hoje onde estou? Em casa, cuidando da minha filha e da minha familia, um trabalho infinitamente mais relevante e desafiador, e tentando descobrir quem eu sou, o que gosto de fazer, o que quero da minha vida.
Isso basta pra justificar minha decisao de jamais colocar minha filha pra estudar numa dessas escolas consideradas maravilhosas de acordo com o ranking do ENEM?
E voces, o que acham do sistema de ensino no Brasil?
* perdoem-me a falta de acentos, fiz alguma cag*da no meu notebook e nao estou conseguindo usa-los.

Liberdade para decidir e um link

Wednesday, April 22nd, 2009

“(…)Freedom of conscience is protected under the doctrine of informed consent, which specifically protects the right to decline. For informed consent to be valid, a decision must not be coerced.”
(Peggy O’mara, em sua coluna na Mothering Magazine desse bimestre)

Só agora fui ler a Mothering desse bimestre (March-April issue), e adorei o tema abordado pela editora Peggy O’mara, que permeia nossa vida de forma bem ampla, não se aplicando apenas quando se trata de filhos e maternidade: a liberdade de tomarmos decisões conscientes e informadas. A polêmica na verdade não se restringe a bate-boca em listas de discussão e blogs, mas em alguns casos assume proporção tal que acaba em tribunais ou se torna questão de saúde pública. Infelizmente não tenho como linkar o texto, já que a revista não disponibiliza suas matérias digitalmente.
Estou citando a matéria aqui apenas porque lê-la só reforçou minha crença na importância de lutarmos pela liberdade de tomar decisões, e questionar sempre. Porque começamos a ser privados de liberdade desde muito cedo: da forma como nascemos, de acordo com a conveniência dos médicos – aqueles que, por puro medo, acreditamos saber o que é melhor pra nós. Depois quando temos nossa infância roubada pela intelectualização precoce e pela mídia. TV e publicidade ditam nossos gostos e interesses, acabando com a criatividade e, por que não dizer, manipulando e moldando. Nos tornamos logo pequenos robôs consumistas. Passamos a infância a juventude estudando por obrigação, em escolas que nos usam pra vender seus “produtos para nossos pais”. Somos obrigados a decorar o que “cai no vestibular” e muitas vezes jamais conhecemos o prazer em adquirir conhecimento. E depois somos obrigados a escolher uma carreira aos 16, 17 anos quando, salvo raras exceções, não fazemos a menor idéia do que queremos da vida. Passamos por um processo de seleção estúpido, conveniente a alguns, conhecido como vestibular, e seguimos nossa instrução formal em faculdades que não muito se distinguem dos ensinos fundamental e médio. E quando nos tornamos mães a pais, quanta coisa nos é imposta! A cultura do medo tem ainda mais força quando se trata de nossos filhos. Os pais que optam por parto domiciliar, por não vacinar seus filhos, por não abrir mão de uma educação tradicional, entre outras coisas, são considerados irresponsáveis.
Não se trata de defender aqui nenhuma dessas posturas, até porque a não ser pela última não foram opções que fiz como mãe até o momento. Quero apenas defender a liberdade de tomar decisões de esfera privada sem ter que nos submeter aos interesses da midia, da indústria farmaceutica e de outros mais, sempre camuflados como intereses em nome do bem comum. Parece um post “teoria da conspiração”, mas até nisso é preciso liberdade para avaliar: trata-se de teoria da conspiração mesmo? Talvez, talvez em parte, talvez não. A verdade é que poucos têm consciência das influências perversas que sofrem ao tomar decisões em suas vidas, das mais cotidianas às que realmente importam.
***
Quero aproveitar também pra linkar aqui minhas respostas a 10 perguntas sobre a busca e a escolha de escola, postadas no Futuro do Presente há alguns dias. Ninguem entrou no debate ainda, mas continua aberto e a troca de idéias é sempre bem-vinda.

Preconceito e diversidade: “na teoria a prática é outra” – ou não seria o contrário? (post também atrasado)

Sunday, April 19th, 2009

Vcoês conhecem essa expressão? Eu sempre a achei meio esquisita, ou melhor, ao menos nas situações em que já a ouvi usarem, não faz muito sentido pra mim.
Mas quero falar sobre diversidade e preconceito. E de enganos. 
Costumo falar o quanto diversidade é importante, e da necessidade de criar nossos filhos desde pequenos em meio a ela. Sim, descobri isso recentemente na minha vida, e já me considerava uma defensora da diversidade…até entrar no teatro pra assistir a esse espetáculo.
Uma horda de crianças ensandecidas corria pela ante-sala da sala de espetáculo. Nada parecido como o que estou acostumada a ver nos lugares que frequento, como escola, festa de aniversário e teatrinhos do Shopping da Gávea. E olha que desde que me mudei e desde que Pipoca foi pra escola temos vivido alguma diversidade. Mas a aparência das crianças no teatro era de crianças de rua. Eram, depois descobri, de alguma comunidade carente, chegaram ao local em vários ônibus, acompanhados de alguns adultos. Confesso que fiquei apavorada e que pensei que nunca na vida tinha visto crianças tão mal-educadas. Pipoca ficou meio assustada com a zoeira, mas dentro do normal dela. Na hora em que as portas da sala abriram, quase fomos atropeladas pela mini-multidão enlouquecida. Já dentro da sala, esperando o espetáculo começar, pensei que não seria possível assistir, tamanha a bagunça. 
Mas…pra minha surpresa e encanto, ao apagar das luzes fez-se o silêncio. As crianças, todas elas, ricas, médias e pobres, brancas, pretas, marrons, amarelas, vermelhas, e nas mais diversas idades, assistiram ao espetáculo com respeito e num silêncio normal em se tratando de teatro pra criança. Como no Shopping da Gávea. Como emqualquer lugar. Fiquei maravilhada…e mais consciente do que nunca dos meus pré-conceitos.
Não chegou a ser um tapa na cara, mas bom pra me mostrar que a gente muda, cresce e aprende, mas calma!, ainda tenho meus preconceitos, como qualquer humano. Sem julgamentos, essa sou eu.
Afinal, “na teoria a prática é outra”.

Humanização do nascimento, polêmicas

Monday, April 6th, 2009

Embora esteja aprendendo a respeito e tenha o parto natural como um ideal, sempre questionei posições radicais. Por outro lado embora tenha sido uma vítima do intervencionismo médico, jamais me senti menos mãe ou mulher por conta disso e recebi as informações a respeito do tema de coração aberto, em momento nenhum fiquei na defensiva. Mas percebi que isso acontece com muitas mulheres, e acho uma pena.
Reproduzo integralmente o email abaixo, do obstetra humanizado Ricardo Jones, ativista da causa, enviado no último final de semana para a lista do grupo Parto Natural. O teor do email é definitivo pra mim, e é na esperança de que suas palavras toquem o coração de outras mulheres que o divulgo aqui. É longo, mas prometo: merece uma leitura atenta, e de coração aberto.
Ah, mais uma coisinha: eu teria tudo pra ser uma dessas mulheres no email qualificadas como “tropa de elite” da cesariana do Brasil: nível superior, classe média, madura e com cesariana prévia. Mas não serei, porque não quero e porque sei que posso fazer diferente e melhor.

“Daqueles que reclamam da barbárie da desconsideração e da indignidade da forma como conduzimos o nascimento humano no ocidente dizemos serem “chatos” e “xiitas”, mas não chamamos de violentos aqueles que, através do silêncio ou do escárnio, colaboram para a destruição sistemática do feminino na nossa cultura.”
Caríssimos radicais insensíveis que povoam meus dias:
Na internet está rolando um texto de uma gestante que está para ter seu segundo filho. Jornalista, casada com um escritor conhecido, ela discorre sobre as conversas desagradáveis que teve durante a sua atual gestação. Em ocasiões sociais algumas “radicais” lhe falaram das inquestionáveis vantagens dos partos normais sobre a alternativa cirúrgica, o que lhe causou irritação e inconformidade. A sensação que ela descreve é de que estas mulheres filtravam a maternidade através do parto natural, não permitindo que uma mulher pudesse sentir-se mãe tendo recebido seu bebê pela via operatória. É evidente que na gestação anterior ela sofreu uma cesariana. Nada mais natural, pois pertencendo a este extrato social – a classe média brasileira – a sua chance de ter um parto vaginal (não necessariamente “normal”) seria de menos de 15%. A justificativa para o procedimento veio na sentença curta e inquestionável que muitas mulheres escutam todos os dias nos hospitais do ocidente:
- Se quiser esperar mais, tudo bem. Mas o bebê pode entrar em sofrimento fetal.
Nas suas próprias palavras, mesmo sendo contra a sua vontade (e aqui “vontade” talvez não signifique o mesmo que “desejo”) a cesariana foi muito linda. Ok, o bebê no útero só pode fazer “sofrimento fetal”, mas a lógica cruel e inexorável da frase do seu médico está além da razão ou mesmo da concordância. As palavras deste(a) profissional são marcadas por uma brutalidade para qual não existe escapatória: não há como questionar, discutir, argumentar ou mesmo protestar. Não há recurso: Maktub!
Aquele que, em sã consciência, se permitiria enfrentar o poder médico numa circunstância como esta que atire a primeira pedra.
O nascimento de uma criança é sempre um evento lindo. Não há porque questionar que mesmo a mais violenta das cesarianas tem como resultado final o brotar de uma vida, e que este momento em si é revestido de uma beleza acima de qualquer discussão. Não se trata, assim, de obscurecer a luminosidade fulgurante que emana de cada vida que se faz. O que nos cabe fazer é interpretar a cesariana e seus determinantes, assim como a razão pela qual uma mulher escreve um texto reclamando de algo que ela chama de “patrulhamento xiita” dos defensores do parto normal.
Este texto não é um fato isolado na Internet. Podemos colocá-lo junto com alguns textos americanos e brasileiros recentemente escritos e que contém a mesma lógica. O texto sobre cesariana da Fernanda Torres está na mesma linha, obedece às mesmas premissas e chega ao mesmo ponto. Estes textos todos são escritos por pessoas que reclamam de algo que elas imaginam ser um “excesso de correção”. Possuem a mesma tonalidade das mensagens que criticam os “chatos antitabagistas”, os “chatos da alimentação natural”, os “chatos do parto normal”, os “chatos da reforma agrária”, etc.
É interessante notar que quando a “mensagem” já não pode mais ser racionalmente combatida as queixas se dirigem imediatamente aos “mensageiros”. Nesta etapa do amadurecimento das idéias – e do montante de informações e evidências – já não cabe mais se contrapor ao mérito de tais questões: não há mais espaço para defender o cigarro, a cesariana desmedida, o latifúndio improdutivo ou a comida ‘lixo’ que enfiamos goela abaixo. Entretanto algumas pessoas se irritam com a pressão que a sociedade exerce para que elas construam para si – e para os que as cercam – atitudes conscientes, positivas, saudáveis e ecologicamente determinadas.
Ao mesmo tempo em que estas pessoas tentam se contrapor à avalanche de dados, pesquisas e evidências que mostram a correção destes postulados, elas não suportam serem cobradas quanto à uma mudança de postura. Sentem-se amordaçadas pelo “politicamente correto”. Claro que existem chatos, e até entre os que defendem o parto natural, mas os chatos “ecologicamente corretos” são em número infinitamente menor do que aqueles que vomitam fumaça, MacDonalds ou cesarianas injustificadas na sua cara sem a menor cerimônia ou pudor. Para cada “chato do parto humanizado” existem 10 pessoas chatas e inconvenientes que debocham de quem ganha filhos “como bicho”. Estas são em número muito maior, mas como estão nadando no ‘mainstream’ não parecem fazer tanto barulho.
“Dos rios dizemos violentos, mas não chamamos violentas as margens que o oprimem” já dizia Bertold Brecht. Maximilian sempre me ensinou que aqueles que reclamam da barbárie da desconsideração e da indignidade da forma como conduzimos o nascimento humano no ocidente dizemos serem “chatos” e “xiitas”, mas não chamamos de violentos aqueles que, através do silêncio ou do escárnio, colaboram para a destruição sistemática do feminino na nossa cultura. Ele se insurgia contra essa injustiça e essa cegueira auto-induzida.
A verdade é que este texto, assim como os outros que reclamam do patrulhamento da amamentação e de outras condutas sabidamente positivas, apenas demonstra a tremenda dor que esta mulher ainda sofre por sua cesariana. Seu texto nada mais é do que uma tentativa de proteger-se através de uma “declaração antecipatória” para, caso volte a ter outra cirurgia, ela já esteja prevenida (o que é quase inevitável visto pertencer à “tropa de elite” da cesariana do Brasil – nível superior, classe média, madura e com cesariana prévia).
“Não me critiquem e não me patrulhem, e nem sequer me falem de parto normal, senão solto os cachorros de novo”.
Espero que desta vez ela possa ter um parto empoderador e maravilhoso, mas também nutro a esperança de que ela se liberte do comportamento “xiita” de patrulhar os humanistas. Para mim o texto dela descreve muito mais a ela mesma do que as mulheres cujas atitudes condena. Patrulhamento por patrulhamento, eles se igualam no dogmatismo inerte, mas pelo menos o humanístico e ecológico é mais solidário e progressista.
Beijos
Ric
PS: Ninguém é mais mãe ou mais mulher por ter feito parto normal, assim como ninguém é mais homem por possuir as duas pernas. Entretanto, valorizo o parto normal como um importante componente da história de uma mulher, tanto quando entendo como sagrada a integridade física de qualquer pessoa. (Max)

A dor e a delícia de ser o que é

Sunday, March 29th, 2009

A gente fala tanto em achar nosso jeito de maternar, nosso jeito de comer, nosso jeito de cuidar da saúde, enfim, nosso jeito de fazer as coisas. Mas mais difícil do que adotar uma atitude “mainstream”, e mais difícil do que ser “alternativo”, é ficar no meio do caminho. Me sinto uma ET quando estou entre a galera do primeiro grupo e muitas vezes uma fresca convivendo com pessoas do segundo. De um lado, olhares de espanto e silêncios bizarros quando falo certas coisas; do outro, olhares repletos de pré-conceitos. Socorro.

Thursday, March 26th, 2009

“Today near eventime I did lead
The girl who has no seeing
A little way into the forest
Where it was darkness and shadows were.
I led her toward a shadow
That was coming our way.
It did touch her cheeks
With its velvety fingers.
And now she too
Does have likings for shadows
And her fear that was is gone.”
                Opal Whiteley

Meu final de semana

Monday, March 23rd, 2009

“Terra meu corpo
Água meu sangue
Ar meu sopro
Fogo meu espírito”

Nesse final de semana participei de um grupo terapêutico em Teresópolis, uma espécie de retiro onde cada um compartilhou sua alma. Roda, meditação, caminhada contemplativa, arteterapia, trabalho corporal, astrologia, fogueira, cachoeira e muito, muito acolhimento. Muitas lágrimas foram derramadas, mas muitas gargalhadas foram dadas também.  Ainda precisarei de um tempo pra elaborar o que vivi, mas desde já posso afirmar que saí da fazenda muito fortalecida, apesar de não ter conseguido estar presente (não me refiro a presença de corpo, mas de alma) 100% do tempo, afinal viajei sem a Pipoca pela primeira vez e pensei muito nela e no meu  marido.
Resumindo em uma palavra o que encontrei lá: ACOLHIMENTO. E com uma o que trouxe comigo de lá: COMPAIXÃO.
Fotos desse final de semana maravilhoso em breve.

Quem se preocupa como futuro da humanidade?

Thursday, February 19th, 2009

Li no blog O Futuro do Presente:
“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.”
Chico Xavier

Isso faz todo sentido pra mim, e logo que li me lembrei de um argumento que ouvi – e li – diversas vezes nos últimos tempos quando se discute as opções de se ter ou não se ter filhos, debate que ganhou espaço com o lançamento do livro Quarenta Razões para Não Ter Filhos e que rendeu muita polêmica, inclusive no blog do Desabafo de Mãe. Eu mesma no calor do debate dei meu pitaco aqui, e vejo que passado um ano e meio minha opinião é exatamente a mesma.  Me lembrei desse argumento justamente pelo fato de a citação de Chico Xavier ir certeira de encontro a ele: o argumento de que ter filhos é anti-ecológico. O que, para mim, não faz o menor sentido, já que o futuro do planeta depende também da existência de gerações futuras. E que essas gerações sejam de homens e mulheres mais conscientes e evoluídos do que os que estão aqui. Para isso, em primeiro lugar, é preciso concebê-los, gerá-los, parí-los e criá-los. Em segundo lugar que isso tudo seja feito com consciência.
Se, por um lado, acho válido que as pessoas hoje possam sem pressão fazer essa opção, afinal ter um filho por imposição da sociedade ou qualquer outra motivação frágil não vale à pena, por outro acho uma pena que as pessoas usem um argumento desse tipo, que na verdade parece encobrir outras razões não tão nobres quanto essa à primeira vista parece ser. Longe de mim julgar os que assim se posicionam, mas definitivamente não acredito nisso. Não em não ter filhos como opção, mas nesse argumento.
O estado atual das coisas – do planeta, da humanidade, das relações humanas – é resultado de gerações de humanos marcadas por sérios problemas. Da atual, podemos citar o individualismo, o consumismo, a eterna busca pelo prazer imediato e a falta de afeto. E para se criar filho é preciso de compromisso, doação e muito amor. Algo que exige muito de quem se aventura, é como andar numa corda bamba, ter que lidar com questões e medos, aprender entre outras coisas. Mas, por outro lado, rende muitos frutos e é, por que não dizer, desafiador. Se nos permitirmos embarcar de cabeça, corpo e alma nessa experiência, descobrimos que as crianças têm muito a nos ensinar e nos ajudam a crescer, a evoluir. Se estivermos atentos, é claro. Nós fazemos muito por eles, mas eles também fazem muito pela gente. Estou nesse caminho, e a cada dia me assombro com o que aprendo sobre a vida e sobre mim mesma através da maternidade.
Comecei com a bela frase de Chico Xavier e termino com a linda frase que veio com a delicada embalagem de bem-casados que recebemos como lembrança das bodas de ouro dos pais de uma amiga:
“Todos os nossos atos sejam feitos com amor”
I Coríntios 16:14

Saber terminar é um dom

Tuesday, February 17th, 2009

Pasta de dente no final é uó. Sacrifício pra fazer sair um tantinho, quando sai cai na pia. Taí, descobri um aspecto nada ecológico da minha vida: desperdício de pasta de dente.
Aliás, odeio tudo quando está no final. Pasta, shampoo. Perfume, desodorante. Em geral não me aguento e jogo fora antes de acabar. E o pior que isso se aplica a outras coisas também, como comidas – o mel no finzinho me dá nos nervos! – e relacionamentos.
Uma astróloga que fez meu mapa uma vez, por conta da posição dos planetas, falou exatamente isso pra mim: você tem dificuldade pra terminar as coisas. Com a pasta de dentes, fico me torturando pra usar até o fim ou então jogo fora sem terminar, normalmente essa segunda opção. Com os relacionamentos vou levando até que, quando não dá mais pra mim, risco a pessoa da minha vida sem dó nem saudade, nem olho pra trás. O que pode, em algumas situações, ser bom, mas em outras é prejuízo certo, afinal há pendências que só fazem mal e atrasam a vida da gente.
E vocês, como lidam com os finais?

Raising Generation Pax

Monday, December 29th, 2008

“O universo nos proporciona um meio poderoso para criar paz: a forma como trazemos nossas crianças à vida. Importantes idéias sobre a influência de nossos pensamentos e atitudes, aliadas a pesquisas de ponta, nos oferecem a oportunidade de realizar mudanças fundamentais através da concepção, gravidez e parto conscientes – para assim trazermos ao mundo indivíduos criados para a paz.
A maioria de nós almeja um planeta pacífico e ecologicamente sustentável onde nossos bisnetos poderão crescer. Mas esse objetivo parece estar longe de ser alcançado.

De acordo com um estudo realizado em conjunto por Harvard e pela OMS, os Estados Unidos sofrem com o maior índice de depressão (9.6%, representando portanto mais do que 9 a cada 100 pessoas) entre os 14 países que fizeram parte da pesquisa, incluindo o Líbano (6.6%) e a Nigéria (0.8%), países arrasados por guerra e extrema pobreza, respectivamente. O uso de anti-depressivos e outras drogas psicotrópicas por crianças em idade escolar (e pré-escolar!) aumentou de forma gradativa e constante na última década. Suicídio se tornou a terceira principal causa de morte entre os jovens de 15 a 24 anos, e seu índice dobrou na faixa de 5 a 14 anos.
Estamos no caminho errado.
A idéia de que os pais tem influência fundamental e definitiva sobre a saúde sócio-emocional de suas crianças decididamente não é politicamente correta. A idéia de que, nesse tema, existe um ideal a ser buscado pelo bem da humanidade também não é politicamente correta, pois pode gerar culpa. No entanto, a mentalidade que, em oposição, isenta os pais de responsabilidade, acaba por criar desempoderamento e falta de esperança.
Dotty Coplen escreve em Parenting for a Healthy Future, “Quanto mais consciência tivermos das consequências futuras do que fazemos hoje, e a intenção por trás da ação, mais sucesso obteremos na criação de nossos filhos com propósitos e objetivos próprios. Os pais devem ser capazes de, juntos, formar sua compreensão do que é um ser humano saudável”.
Pesquisas indicam que um ser humano saudável possui um cérebro equipado com as capacidades de auto-regualação, auto-reflexão, confiança e empatia.
O ser humano saudável deve possuir um coração capaz de empreender e ser um exemplo de paz, uma mente capaz de inovar e trazer soluções novas para os desafios ecológicos e sociais que o planeta enfrenta e a força de vontade para implementá-las. Esse ser humano não é de forma alguma fruto exclusivo de uma genética pré-definida e imutável, mas sim resultado de uma interação dinâmica entre genética e ambiente – sendo os pais influência fundamental na variante “ambiente” dessa equação.
As capacidades necessárias para se obter um estado psicossocial ideal – ou ao menos aceitável – são criadas através de relações harmoniosas e consistentes com poucos e seletos adultos no período crítico dos três primeiros anos de vida. A situação oposta não é necessariamente representada por situações extremas de abuso, mas de negligência não intencional, comum quando os pais estão sobrecarregados com trabalho, problemas ou quando não tem apoio.
Por favor ouçam-me com atenção: não se trata de atribuir ou provocar culpa em pais que estão fazendo o melhor que podem no momento, mas sim de provocar o despertar para novas informações, com compaixão, que poderão proporcionar uma melhor compreensão de nós mesmos e da nossa própria história: todos já fomos, um dia, bebês e crianças! Trata-se do mistério da nossa própria divindade .”
(tradução livre de trecho da matéria Raising Generation Pax, de Marcy Axness, na revista Pathways to Family Wellness, edição de junho de 2008. A matéria original, na íntegra e em inglês, pode ser encontrada aqui. Marcy Axness é PhD, especialista em fertilidade, psicologia pré e perinatal e adoção, e está para lançar o livro Raising Generation PAX: The Science of Peace and Parenting, cujo tema, por óbvio, é o mesmo dessa matéria)

Blogagem coletiva: adoção, um ato de nobreza

Wednesday, November 12th, 2008

Outro dia, conversando com minha terapeuta, ouvi dela algo que ficou reverberando na minha cabeça. Ela comentou sobre a importância de ampliarmos nossa consciência individual, e como isso agrega para que a consciência do planeta e do universo se ampliem e portanto contribui para a evolução da humanidade. Claro que concordo com isso, caso contrário não estaria me cuidando e trabalhando com afinco para evoluir como mulher, como mãe, como ser humano.
Adotar é, pra mim, um ato de extrema generosidade e coragem. Há poucas coisas tão lindas de ser ver quanto uma familia multiétnica como a dos Jolie-Pitt. Mas, da mesma forma que acredito que conceber com consciência é fundamental, acho que adotar também é. No XVI Encontro de Gestação e Parto Natural Conscientes*, que aconteceu há exatos dois anos, assisti a um painel com a americana Marcy Axness , que entre outras coisas trabalha com a preparação de casais para adoção. Não tinha me atentado para essa questão até então, mas hoje tenho convicção da importância não só da preparação do casal ou da família que pretende adotar, como também do acompanhamento e suporte emocional à criança adotada. Em outras palavras: penso que tanto para conceber, parir e criar filhos biológicos, quanto para adotar e criar filhos adotivos, consciência e atenção à saúde emocional da família são importantíssimos. No segundo caso, há aspectos extras que devem ser considerados, e profissionais competentes poderão dar o apoio adequado.
Minha pequena contribuição para a blogagem coletiva Adoção, um Ato de Nobreza, proposta pela Georgia e pelo Dacio Jaegger, é, enfim, essa: um convite a todos que vivem, viveram e pretendem viver essa experiência, assim como àqueles que por outros motivos, profissionais ou não, se interessam pelo assunto, a refletir sobre a importância da consciência e da preparação adequada e cuidadosa para esse ato de tamanha importância que é o ato de adotar.
* a partir dessa 6a. feira acontecerá o XVIII Encontro de Gestação e Parto Natural Conscientes, cujo tema desse ano será Nascer em Simplicidade.

Amemo-nos sobre todas coisas

Friday, September 12th, 2008

“Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa,
que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar -
inclusive o meu inimigo – em nome de Cristo, tudo isto,
naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude.
O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço.
Mas, o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor,
o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente
dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim,
sou eu mesmo, e preciso da esmola da minha bondade,
e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?”
Carl G. Jung

Da série constatações

Tuesday, September 9th, 2008

Porque, como disse o poeta no post abaixo, é preciso DE-SA-PREN-DER.
Eu preciso desaprender tudo. Mas não no pensamento. No sentimento.

Da série constatações

Wednesday, September 3rd, 2008

Descobri que minha mania de fazer tudo certinho, de querer que tudo saia sempre perfeito, faz com que eu deixe de fazer muitas coisas na minha vida. Essa é a pior das hipóteses. Na melhor, rouba o prazer.