Ouvi ontem de manhã no rádio e li hoje no jornal sobre o ranking das escolas brasileiras segundo o ENEM – exame nacional do ensino médio. Conheço o ENEM mas honestamente não tenho condições de opinar sobre, na verdade nem de avaliar qual exame é melhor (ou menos pior), ele ou o vestibular. Mas o que achei interessante nisso tudo foi o comentário do Boechat, no rádio, sobre o ENEM. Um coment’ario que representa bem o pensamento insano, porem masintream, que predomina nos nossos dias quando se trata de educacao. Ele disse algo como “não há nehum aferidor melhor de uma escola que as notas dos alunos”. Achei isso uma bobagem sem tamanho e vou contar porque.
Em primeiro lugar escolas como Sao Bento, Santo Agostinho e mesmo os colegios de aplicacao federal e estadual do Rio, tem um filtro rigoroso para admissao dos alunos. Um filtro, diria, condizente com a proposta de cada escola, qual seja: alunos potencialmente adequados ou adequaveis ao sistema, que possivelmente atingirao os resultados desejados.
Em segundo, não considero que esses alunos sejam os mais inteligentes. Nem os mais preparados para a vida. São os que melhor se adequaram ao sistema de ensino predominante hoje – baseado em decoreba e voltado pra resultados.
Para um olhar menos sensivel e atento, minha posicao pode parecer defensiva ou recalcada, mas nao e. Sempre fui uma aluna brilhante, cdf mesmo. Atingi os resultados desejados, pode-se dizer que com louvor, ingressei na faculdade de direito considerada a melhor do Rio com 17 anos recem-completados. Um historico e tanto, nao? Terminei a faculdade a duras penas, nunca advoguei, tentei mestrado mas desisti. Mas apesar de tudo acabei na maior empresa de auditoria do mundo, onde fiquei por oito anos. Segui direitinho plano de carreira da firma, cheguei a ser gerente, e era boa no que fazia. Os clientes gostavam de mim, trabalhei nos escritorios do Rio e de Sao Paulo, me destacava nos trabalhos que exigiam mais aptidao intelectual, embora detestasse as tarefas mais burocraticas. Mas o mais importante de tudo e que nao era feliz. Hoje onde estou? Em casa, cuidando da minha filha e da minha familia, um trabalho infinitamente mais relevante e desafiador, e tentando descobrir quem eu sou, o que gosto de fazer, o que quero da minha vida.
Isso basta pra justificar minha decisao de jamais colocar minha filha pra estudar numa dessas escolas consideradas maravilhosas de acordo com o ranking do ENEM?
E voces, o que acham do sistema de ensino no Brasil?
* perdoem-me a falta de acentos, fiz alguma cag*da no meu notebook e nao estou conseguindo usa-los.
Archive for the ‘outros assuntos’ Category
Rankings e resultados
Wednesday, April 29th, 2009Nota de apoio a Gilmar Mendes
Thursday, April 23rd, 2009Após o barraco ocorrido ontem, ministros do STF, com exceção de Ellen Gracie, que estava ausente, e de Joaquim Barbosa, assinaram nota reafirmando sua confiança no Supremo e em seu presidente, o ministro Gilmar Mendes.
Ótimo pra eles que confiam, mas e a sociedade? Será que ainda confia?
Publicidade – Spot Flex, “Waira” parto “El lugar más importante del mundo”
Sunday, April 19th, 2009Uma família, uma casa, um novo membro chegando. Nascimento no conforto do lar, na cama dos pais. Lindo, não? Eis uma propaganda de colchão.
Detesto as apelações a que recorrem os publicitários. Eles sempre tem mil justificativas, mas tem limite. Ao menos deveria.
Há quem ache exagero posições como a minha, eu mesma me pergunto mil vezes se não é. Mas não adianta. Sinceramente, não gostei.
E vocês? Assistam e me contem o que acharam.
Do “pré-conceito” ou de como somos crueis ao julgar tudo pela aparência (post atrasado)
Sunday, April 19th, 2009
Viva Susan Boyle!
Aqui, a história da impressionante escocesa de 47 anos.
*foto: O Globo Online
Mais da série “em que mundo vivemos?”
Sunday, March 29th, 2009Recebi por email. Destaque para a última frase atribuída ao presidente da Associação Médica Brasileira, no parágrafo final. Sem comentários.
Ibope: elite migra de convênio médico para SUS em SP
Sex, 27 Mar, 09h57
A elite paulistana migrou dos planos de saúde para os hospitais públicos, em busca da alta complexidade muitas vezes disponível só na medicina gratuita. Pesquisa Ibope feita durante o mês de janeiro – encomendada pela Secretaria de Estado da Saúde – avaliou 1.600 pacientes (usuários de 34 unidades estaduais) e identificou que um em cada cinco deles é de famílias classes A e B, ou seja, tem renda mensal superior a R$ 7 mil.
“O levantamento mostrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) está atraindo um novo perfil de pacientes, um público extremamente exigente. Provável reflexo da crise econômica, que tem levado as pessoas a reduzirem os gastos com planos de saúde, o fenômeno pode ser extremamente positivo para o sistema, já que nos leva a aprimora mais os serviços”, avalia Nilson Paschoa, secretário interino de Estado da Saúde.
José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Médica Brasileira, acredita que o índice de 21% encontrado na pesquisa evidencia a característica desta parcela da população. “A classe média atual perdeu o status de conseguir financiar questões fundamentais como saúde e educação”, diz. “Isso faz com que o SUS precise estar preparado para um público que pressiona e exige qualidade.” As informações são do Jornal da Tarde.
Papo cabeça
Wednesday, March 25th, 2009No twitter, trocando ideias com a Ana Claudia. Inverti a ordem original das tuitadas pra não termos que ler de trás pra frente, ok? Essa, aliás, é uma coisa que me irrita no twitter. E notem que, se depender da gente, todos os problemas do mundo estarão resolvidos
anaclaudiabessa@rematteoni A gente saiu do Rio por causa da violência mas de que adianta se os amigos e a família continuam aí correndo riscos?
rematteoni@anaclaudiabessa pois é Ana, sair resolve em parte o problema. Como escrevi pra Tiffany, é preciso ter muita fé…
anaclaudiabessa@rematteoni Ai, Rê, fé só se for a fé de que o carioca vai parar de votar em político cretino…
rematteoni@anaclaudiabessa eu fico desanimada só de começar a pensar nas coisas todas q estão envolvidas…
rematteoni@anaclaudiabessa eu concordo q o usuario tem sua responsabilidade, mas e o tráfico de armas?
rematteoni@anaclaudiabessa se os usuarios não consumissem não haveria trafico, mas se os caras não tivessem armas não haveriam balas perdidas.
anaclaudiabessa@rematteoni o crime acontece porque há quem consuma… em todas as esferas….
anaclaudiabessa@rematteoni Além disso a justiça é medíocre e continua tratando crime organizado com tolerância.
rematteoni@anaclaudiabessa a policia precisa ser mais inteligente e menos corrupta
rematteoni@anaclaudiabessa a justiça dá nos nervos mesmo. estamos perdidos com as instituições nos 3 poderes!
anaclaudiabessa@rematteoni É desesperador ver que tem gente da base à cúpula do poder envolvido com o crime.
rematteoni@anaclaudiabessa aí entramos nós com nossa bandeira: investir nos filhos, que serão os adultos de manhã. só isso me dá esperança no futuro.
rematteoni@anaclaudiabessa pois é…não sei como, me parece tão óbvio. hj estava conversando com um amigo sobre escolas com mensalidades mto caras
rematteoni@anaclaudiabessa e concluimos q os preços astronomicos nada tem a ver com ensino, mas com seleção do “nivel” dos colegas
rematteoni@anaclaudiabessa e isso é triste pq aprender a conviver com a diversidade é tão rico e importante…
anaclaudiabessa@rematteoni Concordo. Inclusive tem uma escola canadenese aqui perto, cujo método é bem interessante mas custa o dobro que pago…
rematteoni@anaclaudiabessa sem contar que essa “nivelação” é perigosa. já ouvi cada história do q rola nas escolas classe media-alta daqui do Rio…
anaclaudiabessa@rematteoni E desisti de colocar as crianças porque ele iam conviver com colegas de realidades completamente diferente da deles…
rematteoni@anaclaudiabessa e a gente tem q levar tudo isso em conta na hora de escolher…
anaclaudiabessa@rematteoni Achei melhor dá-lhes uma base sólida para que possam no futuro estar preparados para enfrentar as diversisdades na vida.
rematteoni@anaclaudiabessa esse papo rendia um belo post…20 minutes ago from web in reply to anaclaudiabessa
Essa conversa toda começou por conta do post da Tiffany sobre a guerra ocorrida em áreas nobres do Rio nos últimos dias.
Algumas notícias
Saturday, February 28th, 2009Nem texto, nem fotos. Esse canto anda meio às moscas, né? É muita correria na minha vida. Mudança, Pipoca começando na escola. Nessa semana, foco total na mudança, recesso na escola. Consegui assistir à final do Top Chef que meu irmão gentilmente baixou pra mim enquanto arrumava armário. E Pipoca me pedindo pra traduzir porque não entendia o que eles falavam. “Que que ele falou mamãe?” Disapointed that the cheftestant that I was rooting for felt flat. Shame. Hoje estamos passando a primeira noite na casa nova, nem acredito. Falta o Schumi, ele só vem amanhã. Já recebemos amigos, que noite agradável. Uma cava, três vinhos, apesar do calor. Pipoca ainda com “a” tosse. Vem resfriado, vai resfriado, a coriza permanece. E pinga na garganta. E dá tosse. Parece alérgico, felizmente é alto, nada de pulmão. Mas incomoda, tadinha. E eu fico agoniada. Descobri que minha filha é um ser social, como o pai. E eu, que sou meio bichinho do mato, fico feliz porque eles ficam felizes. Apesar do mundo às vezes consigo achar a vida boa.
Ah! Fotos em breve, promisse.
Qual é seu estilo?
Friday, February 20th, 2009O mais bacana da blogosfera pra mim é que ela proporciona troca de ideias e novos relacionamentos, ainda que virtuais. Assim, acabamos conhecendo pessoas virtualmente. Quando essas relações virtuais não passam para o plano real, ou ao menos enquanto não, algumas pessoas “conhecemos” por foto, outras nem isso.
Daí que estou escrevendo tudo isso porque me bateu uma tremenda curiosidade. De conhecer mais vocês, que vem aqui e gastam seu precioso tempo lendo as bobagens e as coisas sérias que eu escrevo, e vendo minhas fotos. Talvez haja até alguns que aparecem aqui sem comentar, será? Por isso, pergunto: qual o estilo de vocês?
Eu tenho um pouco de dificuldade de me definir quando se trata de estilo. Mas posso contar algumas coisas sobre mim: adoro coisas artesanais e designs originais. E isso que vou escrever a seguir vale pra tudo: adoro coisas belas, considero beleza nutrição para a alma. Por isso, embora me vista de forma bem simples, não resisto a peças ou acessórios quando acho bonito. Detesto tudo que vira moda, e quando tenho algo que por acaso vira perco a vontade de usar. Não sou ligada em marcas, grifes, embora tenha minhas lojas favoritas. Nenhuma delas muito caras. Há até algumas caras cujo design me agrada, mas raramente compro algo muito caro, até porque não tenho dinheiro pra isso. Detesto dourado, mas gosto de jóias de ouro branco prata. Diferente da grande maioria das mulheres, não compro muitos sapatos! Adoro os meus, que não são muitos, e costumo usar até furar a sola. Já cheguei a reformar sapatos que amei, um deles duas vezes! Apesar de ser baixinha, parei de usar salto quando parei de trabalhar e, quando a ocasião pede, sofro muito. Há alguns naos adquiri o hábito de não pentear nem escovar meu cabelo e adoro ele curto, mas como não conheço nenhum cabelereiro aqui no Rio que corte meu cabelo curto do jeito que gosto, passei a usar um pouco mais comprido, e agora deixei crescer mais pra poder usar rabo-de-cavalo quando o cabelo acorda muito bagunçado. Com o cabelo mais compridinho, voltei a pentear, mas somente depois que lavo. Cuido da minha pele, vou a dermatologista, uso produtos, alguns até caros. Sofro com acne desde a adolescência, por isso preciso ser muito cuidadosa. Ultimamente tenho usado muito vestidos larguinhos, tanto pelo conforto quanto pra disfarçar os quilinhos a mais. Quilinhos esses que, aliás, pretendo perder, só falta força de vontade.
Então, agora me contem um pouco sobre vocês, estou curiosa!
Quem se preocupa como futuro da humanidade?
Thursday, February 19th, 2009Li no blog O Futuro do Presente:
“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.”
Chico Xavier
Isso faz todo sentido pra mim, e logo que li me lembrei de um argumento que ouvi – e li – diversas vezes nos últimos tempos quando se discute as opções de se ter ou não se ter filhos, debate que ganhou espaço com o lançamento do livro Quarenta Razões para Não Ter Filhos e que rendeu muita polêmica, inclusive no blog do Desabafo de Mãe. Eu mesma no calor do debate dei meu pitaco aqui, e vejo que passado um ano e meio minha opinião é exatamente a mesma. Me lembrei desse argumento justamente pelo fato de a citação de Chico Xavier ir certeira de encontro a ele: o argumento de que ter filhos é anti-ecológico. O que, para mim, não faz o menor sentido, já que o futuro do planeta depende também da existência de gerações futuras. E que essas gerações sejam de homens e mulheres mais conscientes e evoluídos do que os que estão aqui. Para isso, em primeiro lugar, é preciso concebê-los, gerá-los, parí-los e criá-los. Em segundo lugar que isso tudo seja feito com consciência.
Se, por um lado, acho válido que as pessoas hoje possam sem pressão fazer essa opção, afinal ter um filho por imposição da sociedade ou qualquer outra motivação frágil não vale à pena, por outro acho uma pena que as pessoas usem um argumento desse tipo, que na verdade parece encobrir outras razões não tão nobres quanto essa à primeira vista parece ser. Longe de mim julgar os que assim se posicionam, mas definitivamente não acredito nisso. Não em não ter filhos como opção, mas nesse argumento.
O estado atual das coisas – do planeta, da humanidade, das relações humanas – é resultado de gerações de humanos marcadas por sérios problemas. Da atual, podemos citar o individualismo, o consumismo, a eterna busca pelo prazer imediato e a falta de afeto. E para se criar filho é preciso de compromisso, doação e muito amor. Algo que exige muito de quem se aventura, é como andar numa corda bamba, ter que lidar com questões e medos, aprender entre outras coisas. Mas, por outro lado, rende muitos frutos e é, por que não dizer, desafiador. Se nos permitirmos embarcar de cabeça, corpo e alma nessa experiência, descobrimos que as crianças têm muito a nos ensinar e nos ajudam a crescer, a evoluir. Se estivermos atentos, é claro. Nós fazemos muito por eles, mas eles também fazem muito pela gente. Estou nesse caminho, e a cada dia me assombro com o que aprendo sobre a vida e sobre mim mesma através da maternidade.
Comecei com a bela frase de Chico Xavier e termino com a linda frase que veio com a delicada embalagem de bem-casados que recebemos como lembrança das bodas de ouro dos pais de uma amiga:
“Todos os nossos atos sejam feitos com amor”
I Coríntios 16:14
Saber terminar é um dom
Tuesday, February 17th, 2009Pasta de dente no final é uó. Sacrifício pra fazer sair um tantinho, quando sai cai na pia. Taí, descobri um aspecto nada ecológico da minha vida: desperdício de pasta de dente.
Aliás, odeio tudo quando está no final. Pasta, shampoo. Perfume, desodorante. Em geral não me aguento e jogo fora antes de acabar. E o pior que isso se aplica a outras coisas também, como comidas – o mel no finzinho me dá nos nervos! – e relacionamentos.
Uma astróloga que fez meu mapa uma vez, por conta da posição dos planetas, falou exatamente isso pra mim: você tem dificuldade pra terminar as coisas. Com a pasta de dentes, fico me torturando pra usar até o fim ou então jogo fora sem terminar, normalmente essa segunda opção. Com os relacionamentos vou levando até que, quando não dá mais pra mim, risco a pessoa da minha vida sem dó nem saudade, nem olho pra trás. O que pode, em algumas situações, ser bom, mas em outras é prejuízo certo, afinal há pendências que só fazem mal e atrasam a vida da gente.
E vocês, como lidam com os finais?
Paz e amor – the age of aquarius
Saturday, February 14th, 2009“When the Moon is in the seventh house
and Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
and love will steer the stars “
Atividades para crianças
Thursday, February 5th, 2009
Estou enfrentando dificuldades pra encontrar um lugar bacana pra Pipoca fazer natação. Pode parecer bobagem, fico até “second guessing myself” e me perguntando se não sou muito chata e exigente.
Optei por onde ela está hoje porque é o melhor lugar nas redondezas de onde vamos morar: organizado, limpo, agradável, os professores parecem bons. Perto, não há nada que se compare. Só que estou “struggling” com o método. Lá eles adotam uma filosofia baseada em resultados* e isso me incomoda. Eles dizem que a avaliação da criança não se baseia em idade, mas só depois de muito discutir e argumentar consegui mantê-la num nível abaixo do que eles consideraram adequado, e só durante o mês de dezembro, pois o acordo foi que quando voltássemos das férias ela iria pra uma turminha com crianças da idade – ops, quer dizer, do mesmo nível (faz de conta que acredito nesse papo) – dela. Porque ela não demonstra medo nem qualquer dificuldade para entrar nesse nível, na opinião deles.
Só que nessa turminha ela quase não brinca. Não como era na A!Bodytech, onde mesmo nas turminhas onde os fundamentos já começavam a ser mais introduzidos a brincadeira ainda rolava solta. Havia mais liberdade, as crianças não tinham que ficar atravessando a piscina pra lá e pra cá sem parar, sem boias, sem poder parar pra brincar, sem poder pegar brinquedos, sem poder escolher a cor do macarrão**.
Acabei, por falta de opção melhor, concordando, fiz minha cabeça e recomeçamos essa semana. Mas não é que o que não estava bom conseguiu ficar pior? Em vez de cinco crianças com um professor, que foi o que vimos na aulinha experimental, a turminha dela está com dez crianças! A criançada passa mais tempo parada nas bordas da piscina do que brincando na água – afinal ainda são muito pequenos e o professor tem que auxiliar a travessia de um lado ao outro da piscina, só que ele, com apenas dois braços, só consegue atravessar com duas ou três crianças de cada vez, de forma que o resto da galerinha tem que ficar esperando. Tem coordenadores e salva-vidas por perto, na piscina há outros professores dando aula também, por isso não me parece perigoso. Mas fico me perguntando qual o proveito dessa aulinha. Talvez a Pipoca aprenda a nadar rapidinho, mas ela não está fazendo o que mais gosta – e o que, na verdade, ela e as outras crianças mais precisam: brincar na piscina.
Não sei ainda o que vou fazer. Até o final de fevereiro ela deve ficar, além de já ter pago a mensalidade, vou ser tolerante e ver como a coisa evolui. Mas é incrível como a gente só dá valor às coisas quando perde. Sem querer *** a Pipoca começou a vida de peixinho num lugar bacana, que respeita o brincar, que não força a barra e que não se baseia apenas em resultados. Ela brincou muito lá, ganhou fama de mandona porque queria coordenar as atividades nas aulas e fez durante muito tempo quase tudo que queria, mas por outro aprendeu a mergulhar, perdeu – um pouco – da frescura de molhar os olhos e criou coragem pra pular sozinha na água. E tenho certeza que é dessa experiência respeitosa em relação à infância e genuinamente**** satisfatória que vem seu prazer em estar na piscina, essa relação saudável e confiante com a água, sem qualquer medo. Essa minha impressão se aplica ao balé também, mas a diferença entre as aulas de lá e as da atual academia não é tão gritante como na natação.
Mas o fato é que. Eu era feliz na A!Bodytech…e não sabia.
* que é o normal hoje, vale dizer.
**mas isso a Pipoca faz – a única da turma que “enche o saco” do professor com isso.
***falo sem querer porque matriculei a Pipoca na A!Bodytech por pura e simples conveniência geográfica e porque, claro, a primeira vista pareceu minimamente limpo e organizado, mas sem qualquer preocupação com método.
****é preciso tomar cuidado ao ouvir o que crianças tem a dizer – Pipoca, obviamente, diz que gostou da aulinha de natação. Eu conheço minha filha e sei que só o fato de estar numa piscina a agrada. Mas isso não é garantia de satisfação genuina.
Um PS: as expressões em inglês são por falta pura e simples de alguma, em português, que traduzisse melhor meu pensamento. Não tenho nada contra estrangerismos, mas sei que muita gente tem, portanto peço desculpas antecipadamente. Mas, cá pra nós, pra quem está saindo de uma crise de falta de inspiração e de vontade de escrever, esse texto está maravilha.
Enquanto isso, no mundo animal…
Thursday, February 5th, 2009Essa notícia recebi por email, parecida com outras que já li, mas não deixo de me emocionar e me assombrar com o que tem a nos ensinar a natureza instintiva animal.
Labradora atua como mãe adotiva em reserva selvagem
03 de fevereiro de 2009 • 16h53 • atualizado às 18h49
Lisha cuida dos filhotes de animais selvagens orfãos ou rejeitados pelas mães em parque da África do Sul
03 de fevereiro de 2009
Cango Wildlife Ranch/BBC Brasil/Divulgação
Uma cadela labradora de nove anos de idade vem garantindo o bem-estar de vários filhotes de animais selvagens há nove anos na África do Sul. Lisha, a labradora, atua como mãe adotiva dos filhotes orfãos ou rejeitados pelas mães biológicas no Cango Wildlife Ranch, um parque em um rancho na região de Oudtshoorn, na África do Sul.
“Ela já cuidou de mais de 80 animais”, afirma o proprietário da cadela, Rob Hall, que é diretor do parque. “Os filhotes a tratam como se fosse mãe, tentam mamar nas tetas dela, pulam em cima dela, mordem as orelhas, e ela também cheira, lambe e cuida dos filhotes.” Hall conta que, quando chegou ao rancho, a antiga moradora tinha uma labradora que havia cuidado de um filhote de leão rejeitado pela mãe biológica. Ele gostou da idéia e decidiu manter a tradição.
“Os labradores e os retrievers são raças conhecidas por sua docilidade”, disse Hall. “Eles normalmente agem como mães adotivas, se preciso.”
Espécies ameaçadas
O rancho abriga 47 espécies de animais e répteis, incluindo espécies ameaçadas. Lisha já “adotou” filhotes de leopardo, tigre, um hipopótamo pigmeu, uma espécie de raposa local e até um porco-espinho. “Eu diria que Lisha esteve envolvida com filhotes de outras espécies que precisavam de cuidados desde as oito semanas de vida”, diz Hall. “Nossa casa sempre esteve cheia desses filhotes, a gente trazia eles para cá, Lisha se interessava e começava a conviver com eles.”
“Alguns dos vizinhos também deixam animais selvagens, que eles encontram feridos, para que nós cuidemos.” “Teve uma vez que Lisha cuidou de oito filhotes de leopardo de uma vez”, recorda. “Só de leopardos, acho que ela já cuidou de mais de 30.” “No momento, ela está cuidando de três filhotes de tigre branco, lindos.”
Instinto
Lisha nunca foi ferida por nenhum dos filhotes, mas uma vez que eles passam a comer alimentos sólidos, normalmente são levados para outra instalação, ou são soltos no parque. Quando isso acontece, diz Hall, o contato entre a mãe e os filhores adotivos termina. “O instinto predador dos felinos é muito forte”, afirma o diretor do parque.
“Normalmente, trazemos uma caixa com os filhotes rejeitados para casa, ela vem, cheira os filhotes, começa a lambê-los e começa a cuidar deles imediatamente”, descreve Hall. “Acho que é parte da personalidade dela.” Apesar do forte instinto maternal, Lisha nunca teve uma ninhada própria.
BBC Brasil – BBC BRASIL.com – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.
Que bacana
Wednesday, February 4th, 2009Atualizando minha leitura de blogs, me deparo com algo que só reforça a esperança que deposito nos jovens e crianças para um futuro melhor: jovens israelenses presos por se recusarem a integrar o exército que atua nessa guerra insana. Via O Biscoito Fino e a Massa.
Sou contra guerra, ponto. E me assusta o fato de que a média de idade da população de Gaza é de 17 anos (infelizmente não me recordo a fonte dessa informação). Simples assim, essa é minha posição. Não entro do mérito sobre quem tem razão e que não tem, ou sobre a questão da “reação desproporcional” de Israel de que tanto falam por aí, por não ter conhecimento suficiente de história e política envolvendo esses dois países. Seria leviano da minha parte emitir qualquer opinião, mas manifestar meu apoio aos jovens que, mesmo contra todo um sistema e a cultura na qual foram criados, se levantam contra a guerra, ah!!! isso eu posso fazer. Luz no fim do túnel. Acredito, do fundo do meu coração, que de atitudes como essas será feito um mundo melhor, um futuro melhor para a humanidade.


