Archive for the ‘literatura e poesia’ Category

Rankings e resultados

Wednesday, April 29th, 2009

Ouvi ontem de manhã no rádio e li hoje no jornal sobre o ranking das escolas brasileiras segundo o ENEM – exame nacional do ensino médio. Conheço o ENEM mas honestamente não tenho condições de opinar sobre, na verdade nem de avaliar qual exame é melhor (ou menos pior), ele ou o vestibular. Mas o que achei interessante nisso tudo foi o comentário do Boechat, no rádio, sobre o ENEM. Um coment’ario que representa bem o pensamento insano, porem masintream, que predomina nos nossos dias quando se trata de educacao. Ele disse algo como “não há nehum aferidor melhor de  uma escola que as notas dos alunos”. Achei isso uma bobagem sem tamanho e vou contar porque.
Em primeiro lugar escolas como Sao Bento, Santo Agostinho e mesmo os colegios de aplicacao federal e estadual do Rio, tem um filtro rigoroso para admissao dos alunos. Um filtro, diria, condizente com a proposta de cada escola, qual seja: alunos potencialmente adequados ou adequaveis ao sistema, que possivelmente atingirao os resultados desejados.
Em segundo, não considero que esses alunos sejam os mais inteligentes. Nem os mais preparados para a vida. São os que melhor se adequaram ao sistema de ensino predominante hoje – baseado em decoreba e voltado pra resultados.
Para um olhar menos sensivel e atento, minha posicao pode parecer defensiva ou recalcada, mas nao e. Sempre fui uma aluna brilhante, cdf mesmo. Atingi os resultados desejados, pode-se dizer que com louvor, ingressei na faculdade de direito considerada a melhor do Rio com 17 anos recem-completados. Um historico e tanto, nao? Terminei a faculdade a duras penas, nunca advoguei, tentei mestrado mas desisti. Mas apesar de tudo acabei na maior empresa de auditoria do mundo, onde fiquei por oito anos. Segui direitinho plano de carreira da firma, cheguei a ser gerente, e era boa no que fazia. Os clientes gostavam de mim, trabalhei nos escritorios do Rio e de Sao Paulo, me destacava nos trabalhos que exigiam mais aptidao intelectual, embora detestasse as tarefas mais burocraticas. Mas o mais importante de tudo e que nao era feliz. Hoje onde estou? Em casa, cuidando da minha filha e da minha familia, um trabalho infinitamente mais relevante e desafiador, e tentando descobrir quem eu sou, o que gosto de fazer, o que quero da minha vida.
Isso basta pra justificar minha decisao de jamais colocar minha filha pra estudar numa dessas escolas consideradas maravilhosas de acordo com o ranking do ENEM?
E voces, o que acham do sistema de ensino no Brasil?
* perdoem-me a falta de acentos, fiz alguma cag*da no meu notebook e nao estou conseguindo usa-los.

O aferidor

Tuesday, April 28th, 2009

“Tenho um Aferidor de Encantamentos.
A uma açucena encostada no rosto de uma criança
O meu Aferidor deu nota dez.
Ao nomezinho de Deus no bico de um sabiá
O Aferidor deu nota dez.
A uma fuga de Bach que vi nos olhos de uma criatura
O Aferidor deu nota vinte.
Mas a um homem sozinho no fim de uma estrada
sentado nas pedras de suas próprias ruínas
O meu Aferidor deu DESENCANTO.
(O mundo é sortido, Senhor, como dizia meu pai.)”
(Manoel de Barros, Ensaios Fotográficos)

Final de semana: achados culturais e gastronômicos

Monday, April 20th, 2009

dsc05375Primeiro achado: me apaixonei perdidamente pelo livrinho infantil Balanço, da japonesa Keiko Maeo. Ilustrações simplesmente lindas, texto encantador e um conceito interessantíssimo. Aliás, as crianças que me perdoem, mas é uma pequena obra de arte pra crianças e adultos. Tanto é que comprei pra mim, pois a Pipoca, ainda muto pequenina, não deu muita bola pra ele. Da Cosac Naify.
***
Uma dica pra quem é do Rio: a exposição “A Presença do Invisível: Vida Cotidiana e Ritual entre os Povos Indígenas do Oiapoque”, no casarão central do Museu do Índio.
Parênteses: não vou fingir que nossa experiência no museu foi 100% porque museu aqui no Rio, em geral, é uma tristeza (#prontofalei). Não sou de ficar metendo o pau nas nossas coisas, aliás adoraria dizer que no Brasil os museus se equiparam aos dos Estados Unidos e da Europa, mas não dá. Falta gente pra dar informação, falta organização, falta boa vontade, rolam alguns absurdos. 
Mas deixando isso de lado, a exposição: é bem interessante. Achei bem organizada, bem pensada, e atende ao que se propõe: um panorama do patrimônio cultural dos povos indígenas que habitam o Norte do Amapá. Artesanatos, rituais, hábitos, trabalhos, design…sim, design! Achei muito bacana o foco na funcionalidade das peças, uma forma muito interessante de ir além da mera exposição de objetos como demonstração de uma cultura. Legal pra valorizar o trabalho dos designers, como meu irmão, cuja função não é apenas criar objetos belos, mas acima de tudo encontrar soluções para questões importantes do cotidioano, criando beleza sim, mas sobretudo funcionalidade.
E por conta das comemorações pelo dia do índio, estão acontecendo apresentações de dança e rituais indígenas. Essa semana, até dia 26 de abril, acontecerão apresentações de danças Fulni-ô, de Pernambuco (que, creio, foi o que assistimos hoje) às 10 e 15 horas durante a semana e às 15h nos finais de semana.
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***
Por fim, uma dica gastronômica: Bar Urca. Gente…a comida é muito boa! Meu marido fala bem de lá há tanto tempo, não sei como eu nunca tinha ido!!! Virei freguesa. Ah, pra quem se aventurar: não se deixem enganar pelo cardápio, pratos que segundo eles servem duas pessoas na verdade servem três. Até porque ninguem come um pastelzinho ou uma empadinha só de entrada. O pastel de camarão é melhor que o do Alvaro’s, juro.
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Dica cultural para pequenos: Cia. Carroça de Mamulengos

Saturday, April 11th, 2009

Está em cima da hora, já que amanhã rola a última apresentação da Cia. Carroça de Mamulengos, com o espetáculo Histórias de Teatro e Circo, mas nunca é tarde. Foi muitíssimo recomendado, e acredito que seja algo realmente diferenciado. Pretendia ir na 6a. e não pude, hoje tinha mil compromissos e duvido que consiga ir amanhã, uma pena. Atualização, domingo 12/4: consegui ir, hoje, em pleno domingo de Páscoa!!! É imperdível, um espetáculo encantador para adultos e crianças. Não se trata de entretenimento, mas de nutrição pra alma! 
Aproveito pra agradecer à
Angelica, que pelo twitter me incentivou a tentar ir em pleno domingo de Páscoa quando eu já estava achando impossível. 
Ah, soube que eles ficarão pelo Rio por alguns meses: durante essa semana haverá uma oficina e em breve, espero, será possível vê-los de novo em algum outro teatro carioca. Ficarei de olho, porque agora virei fã.
Mas de qualquer forma fica a dica pra quem estiver no Rio, com disposição pra encarar um passeio com a criançada depois do almoço de Páscoa. Recomendo fortemente!
FilipetaEletronicaRio

O apartamento novo – update.

Saturday, April 4th, 2009

Ainda falta arrumar muita coisa, mas evoluímos muito desde que mudamos. Lembram?
A gente adora arrumar apartamento, e dessa vez queríamos tudo diferente do que já tivemos. Queríamos algo anti-decoração, anti-tendência, mesmo tendo consciência de que tudo que criamos tem necessariamente uma referência, uma inspiração concreta – ao menos para reles mortais como nós. Queríamos, enfim, algo cujo estilo não pudesse ser definido, algo apenas nosso.
E arrumar com carinho, deixar o apartamento com a nossa cara, ajuda a ocupar o novo espaço num plano maior do que o físico. Nos apropriar do espaço, uma coisa até meio ritualística.
E quando tivermos arrumado tudo, tenho certeza que desarrumaremos pra começar de novo. Porque afinal de contas a vida é feita de novos começos, não é mesmo? E amamos muito tudo isso.
Não pretendia, mas saiu um post meio filosófico…mas vamos ao que interessa, seguem as fotinhas. Contem o que vocês acham.
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Vou tirar fotos da cozinha e dos quartos e posto em breve. Just for the records, ainda tem muita bagunça, mas ela está mais concentrada no escritório e no quartinho de empregada.

Thursday, March 26th, 2009

“Today near eventime I did lead
The girl who has no seeing
A little way into the forest
Where it was darkness and shadows were.
I led her toward a shadow
That was coming our way.
It did touch her cheeks
With its velvety fingers.
And now she too
Does have likings for shadows
And her fear that was is gone.”
                Opal Whiteley

Comentários, dúvidas técnicas de WP e comportamentais

Saturday, March 14th, 2009

Tenho por hábito responder a todos os comentários que recebo aqui no blog. Exceção feita aos que opto por responder por email, por se trtar de algo que julgue só dizer respeito a mim e ao comentarista.
Não são muitos comentários não, mas ainda que fossem acho importante responder. Mas estou escrevendo isso porque, desde que comecei a usar o wordpress, uma dúvida me consome: os comentaristas sabem que eu respondo? Recebem alguma notificação por email ou precisam voltar ao blog pra ver se tem resposta? Fico preocupada porque, se assim for, provavelmente as pessoas não vêem minhas respostas. Eu, como leitora, dificilmente volto a um post que comentei em algum dos blogs que leio pra ver se a pessoa me respondeu. Costumo usar, no entanto, a ferramenta de receber notificação de resposta, quando disponível, sempre que tenho interesse em diálogo.
Alguem pra me contar como isso funciona no wp? E como costumam agir nesses casos? Voltam ao blogs pra ver se tem resposta aos seus comentários ou deixam pra lá?

Algumas notícias

Saturday, February 28th, 2009

Nem texto, nem fotos. Esse canto anda meio às moscas, né? É muita correria na minha vida. Mudança, Pipoca começando na escola. Nessa semana, foco total na mudança, recesso na escola. Consegui assistir à final do Top Chef que meu irmão gentilmente baixou pra mim enquanto arrumava armário. E Pipoca me pedindo pra traduzir porque não entendia o que eles falavam. “Que que ele falou mamãe?” Disapointed that the cheftestant that I was rooting for felt flat. Shame. Hoje estamos passando a primeira noite na casa nova, nem acredito. Falta o Schumi, ele só vem amanhã. Já recebemos amigos, que noite agradável. Uma cava, três vinhos, apesar do calor. Pipoca ainda com “a” tosse. Vem resfriado, vai resfriado, a coriza permanece. E pinga na garganta. E dá tosse. Parece alérgico, felizmente é alto, nada de pulmão. Mas incomoda, tadinha. E eu fico agoniada. Descobri que minha filha é um ser social, como o pai. E eu, que sou meio bichinho do mato, fico feliz porque eles ficam felizes. Apesar do mundo às vezes consigo achar a vida boa.
Ah! Fotos em breve, promisse.

Quoting John Milton

Tuesday, February 24th, 2009

“The childhood shows the man, as morning shows the day”
John Milton, escritor e poeta inglês

Fotos: diversão garantida para o carnaval

Friday, February 20th, 2009

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Qual é seu estilo?

Friday, February 20th, 2009

O mais bacana da blogosfera pra mim é que ela proporciona troca de ideias e novos relacionamentos, ainda que virtuais. Assim, acabamos conhecendo pessoas virtualmente. Quando essas relações virtuais não passam para o plano real, ou ao menos enquanto não, algumas pessoas “conhecemos” por foto, outras nem isso.
Daí que estou escrevendo tudo isso porque me bateu uma tremenda curiosidade. De conhecer mais vocês, que vem aqui e gastam seu precioso tempo lendo as bobagens e as coisas sérias que eu escrevo, e vendo minhas fotos. Talvez haja até alguns que aparecem aqui sem comentar, será? Por isso, pergunto: qual o estilo de vocês?
Eu tenho um pouco de dificuldade de me definir quando se trata de estilo. Mas posso contar algumas coisas sobre mim: adoro coisas artesanais e designs originais. E isso que vou escrever a seguir vale pra tudo: adoro coisas belas, considero beleza nutrição para a alma. Por isso, embora me vista de forma bem simples, não resisto a peças ou acessórios quando acho bonito. Detesto tudo que vira moda, e quando tenho algo que por acaso vira perco a vontade de usar. Não sou ligada em marcas, grifes, embora tenha minhas lojas favoritas. Nenhuma delas muito caras. Há até algumas caras cujo design me agrada, mas raramente compro algo muito caro, até porque não tenho dinheiro pra isso. Detesto dourado, mas gosto de jóias de ouro branco prata. Diferente da grande maioria das mulheres, não compro muitos sapatos! Adoro os meus, que não são muitos, e costumo usar até furar a sola. Já cheguei a reformar sapatos que amei, um deles duas vezes! Apesar de ser baixinha, parei de usar salto quando parei de trabalhar e, quando a ocasião pede, sofro muito. Há alguns naos adquiri o hábito de não pentear nem escovar meu cabelo e adoro ele curto, mas como não conheço nenhum cabelereiro aqui no Rio que corte meu cabelo curto do jeito que gosto, passei a usar um pouco mais comprido, e agora deixei crescer mais pra poder usar rabo-de-cavalo quando o cabelo acorda muito bagunçado. Com o cabelo mais compridinho, voltei a pentear, mas somente depois que lavo. Cuido da minha pele, vou a dermatologista, uso produtos, alguns até caros. Sofro com acne desde a adolescência, por isso preciso ser muito cuidadosa. Ultimamente tenho usado muito vestidos larguinhos, tanto pelo conforto quanto pra disfarçar os quilinhos a mais. Quilinhos esses que, aliás, pretendo perder, só falta força de vontade.
Então, agora me contem um pouco sobre vocês, estou curiosa!

Quem se preocupa como futuro da humanidade?

Thursday, February 19th, 2009

Li no blog O Futuro do Presente:
“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.”
Chico Xavier

Isso faz todo sentido pra mim, e logo que li me lembrei de um argumento que ouvi – e li – diversas vezes nos últimos tempos quando se discute as opções de se ter ou não se ter filhos, debate que ganhou espaço com o lançamento do livro Quarenta Razões para Não Ter Filhos e que rendeu muita polêmica, inclusive no blog do Desabafo de Mãe. Eu mesma no calor do debate dei meu pitaco aqui, e vejo que passado um ano e meio minha opinião é exatamente a mesma.  Me lembrei desse argumento justamente pelo fato de a citação de Chico Xavier ir certeira de encontro a ele: o argumento de que ter filhos é anti-ecológico. O que, para mim, não faz o menor sentido, já que o futuro do planeta depende também da existência de gerações futuras. E que essas gerações sejam de homens e mulheres mais conscientes e evoluídos do que os que estão aqui. Para isso, em primeiro lugar, é preciso concebê-los, gerá-los, parí-los e criá-los. Em segundo lugar que isso tudo seja feito com consciência.
Se, por um lado, acho válido que as pessoas hoje possam sem pressão fazer essa opção, afinal ter um filho por imposição da sociedade ou qualquer outra motivação frágil não vale à pena, por outro acho uma pena que as pessoas usem um argumento desse tipo, que na verdade parece encobrir outras razões não tão nobres quanto essa à primeira vista parece ser. Longe de mim julgar os que assim se posicionam, mas definitivamente não acredito nisso. Não em não ter filhos como opção, mas nesse argumento.
O estado atual das coisas – do planeta, da humanidade, das relações humanas – é resultado de gerações de humanos marcadas por sérios problemas. Da atual, podemos citar o individualismo, o consumismo, a eterna busca pelo prazer imediato e a falta de afeto. E para se criar filho é preciso de compromisso, doação e muito amor. Algo que exige muito de quem se aventura, é como andar numa corda bamba, ter que lidar com questões e medos, aprender entre outras coisas. Mas, por outro lado, rende muitos frutos e é, por que não dizer, desafiador. Se nos permitirmos embarcar de cabeça, corpo e alma nessa experiência, descobrimos que as crianças têm muito a nos ensinar e nos ajudam a crescer, a evoluir. Se estivermos atentos, é claro. Nós fazemos muito por eles, mas eles também fazem muito pela gente. Estou nesse caminho, e a cada dia me assombro com o que aprendo sobre a vida e sobre mim mesma através da maternidade.
Comecei com a bela frase de Chico Xavier e termino com a linda frase que veio com a delicada embalagem de bem-casados que recebemos como lembrança das bodas de ouro dos pais de uma amiga:
“Todos os nossos atos sejam feitos com amor”
I Coríntios 16:14

Atividades para crianças

Thursday, February 5th, 2009

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Estou enfrentando dificuldades pra encontrar um lugar bacana pra Pipoca fazer natação. Pode parecer bobagem, fico até “second guessing myself” e me perguntando se não sou muito chata e exigente.
Optei por onde ela está hoje porque é o melhor lugar nas redondezas de onde vamos morar: organizado, limpo, agradável, os professores parecem bons. Perto, não há nada que se compare. Só que estou “struggling” com o método. Lá eles adotam uma filosofia baseada em resultados* e isso me incomoda. Eles dizem que a avaliação da criança não se baseia em idade, mas só depois de muito discutir e argumentar consegui mantê-la num nível abaixo do que eles consideraram adequado, e só durante o mês de dezembro, pois o acordo foi que quando voltássemos das férias ela iria pra uma turminha com crianças da idade – ops, quer dizer, do mesmo nível (faz de conta que acredito nesse papo) – dela. Porque ela não demonstra medo nem qualquer dificuldade para entrar nesse nível, na opinião deles.
Só que nessa turminha ela quase não brinca. Não como era na A!Bodytech, onde mesmo nas turminhas onde os fundamentos já começavam a ser mais introduzidos a brincadeira ainda rolava solta. Havia mais liberdade, as crianças não tinham que ficar atravessando a piscina pra lá e pra cá sem parar, sem boias, sem poder parar pra brincar, sem poder pegar brinquedos, sem poder escolher a cor do macarrão**.
Acabei, por falta de opção melhor, concordando, fiz minha cabeça e recomeçamos essa semana. Mas não é que o que não estava bom conseguiu ficar pior? Em vez de cinco crianças com um professor, que foi o que vimos na aulinha experimental, a turminha dela está com dez crianças! A criançada passa mais tempo parada nas bordas da piscina do que brincando na água – afinal ainda são muito pequenos e o professor tem que auxiliar a travessia de um lado ao outro da piscina, só que ele, com apenas dois braços, só consegue atravessar com duas ou três crianças de cada vez, de forma que o resto da galerinha tem que ficar esperando. Tem coordenadores e salva-vidas por perto, na piscina há outros professores dando aula também, por isso não me parece perigoso. Mas fico me perguntando qual o proveito dessa aulinha. Talvez a Pipoca aprenda a nadar rapidinho, mas ela não está fazendo o que mais gosta – e o que, na verdade, ela e as outras crianças mais precisam: brincar na piscina.
Não sei ainda o que vou fazer. Até o final de fevereiro ela deve ficar, além de já ter pago a mensalidade, vou ser tolerante e ver como a coisa evolui. Mas é incrível como a gente só dá valor às coisas quando perde. Sem querer *** a Pipoca começou a vida de peixinho num lugar bacana, que respeita o brincar, que não força a barra e que não se baseia apenas em resultados. Ela brincou muito lá, ganhou fama de mandona porque queria coordenar as atividades nas aulas e fez durante muito tempo quase tudo que queria, mas por outro aprendeu a mergulhar, perdeu – um pouco – da frescura de molhar os olhos e criou coragem pra pular sozinha na água. E tenho certeza que é dessa experiência respeitosa em relação à infância e genuinamente**** satisfatória que vem seu prazer em estar na piscina, essa relação saudável e confiante com a água, sem qualquer medo. Essa minha impressão se aplica ao balé também, mas a diferença entre as aulas de lá e as da atual academia não é tão gritante como na natação.
Mas o fato é que. Eu era feliz na A!Bodytech…e não sabia.
* que é o normal hoje, vale dizer.
**mas isso a Pipoca faz – a única da turma que “enche o saco” do professor com isso.
***falo sem querer porque matriculei a Pipoca na A!Bodytech por pura e simples conveniência geográfica e porque, claro, a primeira vista pareceu minimamente limpo e organizado, mas sem qualquer preocupação com método.
****é preciso tomar cuidado ao ouvir o que crianças tem a dizer – Pipoca, obviamente, diz que gostou da aulinha de natação. Eu conheço minha filha e sei que só o fato de estar numa piscina a agrada. Mas isso não é garantia de satisfação genuina.
Um PS: as expressões em inglês são por falta pura e simples de alguma, em português, que traduzisse melhor meu pensamento. Não tenho nada contra estrangerismos, mas sei que muita gente tem, portanto peço desculpas antecipadamente. Mas, cá pra nós, pra quem está saindo de uma crise de falta de inspiração e de vontade de escrever, esse texto está maravilha.

Pipoca e os personagens

Sunday, February 1st, 2009

Depois de perguntar se de volta ao Rio a gente ia tirar foto com personagens e ouvir um não como resposta, Pipoca chorou no avião dizendo que nossa cidade era feia e que queria ficar na “cidade do Mickey”.
Hoje fomos almoçar no shopping e descobrimos que um grupo de teatro infantil que curtimos, que tem produções bem bacanas, musicais, estava com uma peça nova, Bagunça no Zoológico. E fomos assistir. Quando a peça terminou e íamos deixando a sala, perguntei pra ela se tinha gostado. A reposta:
- Só gosto de teatrinho com foto.
- Eu, já imaginando do que se tratava, perguntei:
- Foto com quem?
- Com personagem, ué.
Ao encontrarmos os personagens, logo na saída do teatro, ela pulou no colo de um pinguim. Tirou foto também no colo da pata, de quem ganhou beijo, e com o pavão. E, claro, voltou pra casa feliz da vida. Amo essa fase da fantasia, por isso curto tanto levá-la pra Disney. Sei que depois virão outras fases em que curtiremos as coisas de uma forma diferente, mas que essa fase é deliciosa, ah isso é.