Não vou falar sobre a importância de nos informarmos e nos educarmos. Quero falar, hoje, sobre nossa conexão com a terra, que pode ser alimentada de diversas formas, como quando andamos descalços sobre ela, como quando meditamos junto à natureza ou mesmo quando participamos de rituais, quaisquer que eles sejam, que invoquem essa conexão. O amor e o respeito pela terra é algo mais profundo, divino mesmo. Afinal dela viemos e para ela voltaremos. Daí, o que vem depois é consequência.
A terra é nossa mãe
Devemos cuidar dela
A terra é nossa mãe
Devemos cuidar dela
Unidos
Minha gente somos um
Unidos
Minha gente somos um
Seu solo é sagrado
E sobre ele andamos
Seu solo é sagrado
E sobre ele andamos
Unidos
Minha gente somos um
Unidos
Minha gente somos um
Archive for the ‘filosofando’ Category
Minha singela homenagem à terra
Wednesday, April 22nd, 2009Liberdade para decidir e um link
Wednesday, April 22nd, 2009“(…)Freedom of conscience is protected under the doctrine of informed consent, which specifically protects the right to decline. For informed consent to be valid, a decision must not be coerced.”
(Peggy O’mara, em sua coluna na Mothering Magazine desse bimestre)
Só agora fui ler a Mothering desse bimestre (March-April issue), e adorei o tema abordado pela editora Peggy O’mara, que permeia nossa vida de forma bem ampla, não se aplicando apenas quando se trata de filhos e maternidade: a liberdade de tomarmos decisões conscientes e informadas. A polêmica na verdade não se restringe a bate-boca em listas de discussão e blogs, mas em alguns casos assume proporção tal que acaba em tribunais ou se torna questão de saúde pública. Infelizmente não tenho como linkar o texto, já que a revista não disponibiliza suas matérias digitalmente.
Estou citando a matéria aqui apenas porque lê-la só reforçou minha crença na importância de lutarmos pela liberdade de tomar decisões, e questionar sempre. Porque começamos a ser privados de liberdade desde muito cedo: da forma como nascemos, de acordo com a conveniência dos médicos – aqueles que, por puro medo, acreditamos saber o que é melhor pra nós. Depois quando temos nossa infância roubada pela intelectualização precoce e pela mídia. TV e publicidade ditam nossos gostos e interesses, acabando com a criatividade e, por que não dizer, manipulando e moldando. Nos tornamos logo pequenos robôs consumistas. Passamos a infância a juventude estudando por obrigação, em escolas que nos usam pra vender seus “produtos para nossos pais”. Somos obrigados a decorar o que “cai no vestibular” e muitas vezes jamais conhecemos o prazer em adquirir conhecimento. E depois somos obrigados a escolher uma carreira aos 16, 17 anos quando, salvo raras exceções, não fazemos a menor idéia do que queremos da vida. Passamos por um processo de seleção estúpido, conveniente a alguns, conhecido como vestibular, e seguimos nossa instrução formal em faculdades que não muito se distinguem dos ensinos fundamental e médio. E quando nos tornamos mães a pais, quanta coisa nos é imposta! A cultura do medo tem ainda mais força quando se trata de nossos filhos. Os pais que optam por parto domiciliar, por não vacinar seus filhos, por não abrir mão de uma educação tradicional, entre outras coisas, são considerados irresponsáveis.
Não se trata de defender aqui nenhuma dessas posturas, até porque a não ser pela última não foram opções que fiz como mãe até o momento. Quero apenas defender a liberdade de tomar decisões de esfera privada sem ter que nos submeter aos interesses da midia, da indústria farmaceutica e de outros mais, sempre camuflados como intereses em nome do bem comum. Parece um post “teoria da conspiração”, mas até nisso é preciso liberdade para avaliar: trata-se de teoria da conspiração mesmo? Talvez, talvez em parte, talvez não. A verdade é que poucos têm consciência das influências perversas que sofrem ao tomar decisões em suas vidas, das mais cotidianas às que realmente importam.
***
Quero aproveitar também pra linkar aqui minhas respostas a 10 perguntas sobre a busca e a escolha de escola, postadas no Futuro do Presente há alguns dias. Ninguem entrou no debate ainda, mas continua aberto e a troca de idéias é sempre bem-vinda.
Preconceito e diversidade: “na teoria a prática é outra” – ou não seria o contrário? (post também atrasado)
Sunday, April 19th, 2009Vcoês conhecem essa expressão? Eu sempre a achei meio esquisita, ou melhor, ao menos nas situações em que já a ouvi usarem, não faz muito sentido pra mim.
Mas quero falar sobre diversidade e preconceito. E de enganos.
Costumo falar o quanto diversidade é importante, e da necessidade de criar nossos filhos desde pequenos em meio a ela. Sim, descobri isso recentemente na minha vida, e já me considerava uma defensora da diversidade…até entrar no teatro pra assistir a esse espetáculo.
Uma horda de crianças ensandecidas corria pela ante-sala da sala de espetáculo. Nada parecido como o que estou acostumada a ver nos lugares que frequento, como escola, festa de aniversário e teatrinhos do Shopping da Gávea. E olha que desde que me mudei e desde que Pipoca foi pra escola temos vivido alguma diversidade. Mas a aparência das crianças no teatro era de crianças de rua. Eram, depois descobri, de alguma comunidade carente, chegaram ao local em vários ônibus, acompanhados de alguns adultos. Confesso que fiquei apavorada e que pensei que nunca na vida tinha visto crianças tão mal-educadas. Pipoca ficou meio assustada com a zoeira, mas dentro do normal dela. Na hora em que as portas da sala abriram, quase fomos atropeladas pela mini-multidão enlouquecida. Já dentro da sala, esperando o espetáculo começar, pensei que não seria possível assistir, tamanha a bagunça.
Mas…pra minha surpresa e encanto, ao apagar das luzes fez-se o silêncio. As crianças, todas elas, ricas, médias e pobres, brancas, pretas, marrons, amarelas, vermelhas, e nas mais diversas idades, assistiram ao espetáculo com respeito e num silêncio normal em se tratando de teatro pra criança. Como no Shopping da Gávea. Como emqualquer lugar. Fiquei maravilhada…e mais consciente do que nunca dos meus pré-conceitos.
Não chegou a ser um tapa na cara, mas bom pra me mostrar que a gente muda, cresce e aprende, mas calma!, ainda tenho meus preconceitos, como qualquer humano. Sem julgamentos, essa sou eu.
Afinal, “na teoria a prática é outra”.
Viver, vida
Saturday, April 11th, 2009Como bem disse minha amiga Leilah, viver não e nada fácil, e acreditando nisso aproveito pra desejar a todos que nesse domingo de Páscoa aproveitem para renovar seu compromisso com a vida! Vou evitar blá blá blá a respeito da necessidade de aplicar isso e aquilo o ano todo e não somente em determinadas datas, porque aproveitar a ocasião para refletir e ritualizar não faz mal a ninguem.
E deixa eu me organizar aqui porque amanhã o coelhinho vai acordar cedo pra esconder um montão de ovinhos pela casa.
Uma boa Páscoa a todos!
Humanização do nascimento, polêmicas
Monday, April 6th, 2009Embora esteja aprendendo a respeito e tenha o parto natural como um ideal, sempre questionei posições radicais. Por outro lado embora tenha sido uma vítima do intervencionismo médico, jamais me senti menos mãe ou mulher por conta disso e recebi as informações a respeito do tema de coração aberto, em momento nenhum fiquei na defensiva. Mas percebi que isso acontece com muitas mulheres, e acho uma pena.
Reproduzo integralmente o email abaixo, do obstetra humanizado Ricardo Jones, ativista da causa, enviado no último final de semana para a lista do grupo Parto Natural. O teor do email é definitivo pra mim, e é na esperança de que suas palavras toquem o coração de outras mulheres que o divulgo aqui. É longo, mas prometo: merece uma leitura atenta, e de coração aberto.
Ah, mais uma coisinha: eu teria tudo pra ser uma dessas mulheres no email qualificadas como “tropa de elite” da cesariana do Brasil: nível superior, classe média, madura e com cesariana prévia. Mas não serei, porque não quero e porque sei que posso fazer diferente e melhor.
“Daqueles que reclamam da barbárie da desconsideração e da indignidade da forma como conduzimos o nascimento humano no ocidente dizemos serem “chatos” e “xiitas”, mas não chamamos de violentos aqueles que, através do silêncio ou do escárnio, colaboram para a destruição sistemática do feminino na nossa cultura.”
Caríssimos radicais insensíveis que povoam meus dias:
Na internet está rolando um texto de uma gestante que está para ter seu segundo filho. Jornalista, casada com um escritor conhecido, ela discorre sobre as conversas desagradáveis que teve durante a sua atual gestação. Em ocasiões sociais algumas “radicais” lhe falaram das inquestionáveis vantagens dos partos normais sobre a alternativa cirúrgica, o que lhe causou irritação e inconformidade. A sensação que ela descreve é de que estas mulheres filtravam a maternidade através do parto natural, não permitindo que uma mulher pudesse sentir-se mãe tendo recebido seu bebê pela via operatória. É evidente que na gestação anterior ela sofreu uma cesariana. Nada mais natural, pois pertencendo a este extrato social – a classe média brasileira – a sua chance de ter um parto vaginal (não necessariamente “normal”) seria de menos de 15%. A justificativa para o procedimento veio na sentença curta e inquestionável que muitas mulheres escutam todos os dias nos hospitais do ocidente:
- Se quiser esperar mais, tudo bem. Mas o bebê pode entrar em sofrimento fetal.
Nas suas próprias palavras, mesmo sendo contra a sua vontade (e aqui “vontade” talvez não signifique o mesmo que “desejo”) a cesariana foi muito linda. Ok, o bebê no útero só pode fazer “sofrimento fetal”, mas a lógica cruel e inexorável da frase do seu médico está além da razão ou mesmo da concordância. As palavras deste(a) profissional são marcadas por uma brutalidade para qual não existe escapatória: não há como questionar, discutir, argumentar ou mesmo protestar. Não há recurso: Maktub!
Aquele que, em sã consciência, se permitiria enfrentar o poder médico numa circunstância como esta que atire a primeira pedra.
O nascimento de uma criança é sempre um evento lindo. Não há porque questionar que mesmo a mais violenta das cesarianas tem como resultado final o brotar de uma vida, e que este momento em si é revestido de uma beleza acima de qualquer discussão. Não se trata, assim, de obscurecer a luminosidade fulgurante que emana de cada vida que se faz. O que nos cabe fazer é interpretar a cesariana e seus determinantes, assim como a razão pela qual uma mulher escreve um texto reclamando de algo que ela chama de “patrulhamento xiita” dos defensores do parto normal.
Este texto não é um fato isolado na Internet. Podemos colocá-lo junto com alguns textos americanos e brasileiros recentemente escritos e que contém a mesma lógica. O texto sobre cesariana da Fernanda Torres está na mesma linha, obedece às mesmas premissas e chega ao mesmo ponto. Estes textos todos são escritos por pessoas que reclamam de algo que elas imaginam ser um “excesso de correção”. Possuem a mesma tonalidade das mensagens que criticam os “chatos antitabagistas”, os “chatos da alimentação natural”, os “chatos do parto normal”, os “chatos da reforma agrária”, etc.
É interessante notar que quando a “mensagem” já não pode mais ser racionalmente combatida as queixas se dirigem imediatamente aos “mensageiros”. Nesta etapa do amadurecimento das idéias – e do montante de informações e evidências – já não cabe mais se contrapor ao mérito de tais questões: não há mais espaço para defender o cigarro, a cesariana desmedida, o latifúndio improdutivo ou a comida ‘lixo’ que enfiamos goela abaixo. Entretanto algumas pessoas se irritam com a pressão que a sociedade exerce para que elas construam para si – e para os que as cercam – atitudes conscientes, positivas, saudáveis e ecologicamente determinadas.
Ao mesmo tempo em que estas pessoas tentam se contrapor à avalanche de dados, pesquisas e evidências que mostram a correção destes postulados, elas não suportam serem cobradas quanto à uma mudança de postura. Sentem-se amordaçadas pelo “politicamente correto”. Claro que existem chatos, e até entre os que defendem o parto natural, mas os chatos “ecologicamente corretos” são em número infinitamente menor do que aqueles que vomitam fumaça, MacDonalds ou cesarianas injustificadas na sua cara sem a menor cerimônia ou pudor. Para cada “chato do parto humanizado” existem 10 pessoas chatas e inconvenientes que debocham de quem ganha filhos “como bicho”. Estas são em número muito maior, mas como estão nadando no ‘mainstream’ não parecem fazer tanto barulho.
“Dos rios dizemos violentos, mas não chamamos violentas as margens que o oprimem” já dizia Bertold Brecht. Maximilian sempre me ensinou que aqueles que reclamam da barbárie da desconsideração e da indignidade da forma como conduzimos o nascimento humano no ocidente dizemos serem “chatos” e “xiitas”, mas não chamamos de violentos aqueles que, através do silêncio ou do escárnio, colaboram para a destruição sistemática do feminino na nossa cultura. Ele se insurgia contra essa injustiça e essa cegueira auto-induzida.
A verdade é que este texto, assim como os outros que reclamam do patrulhamento da amamentação e de outras condutas sabidamente positivas, apenas demonstra a tremenda dor que esta mulher ainda sofre por sua cesariana. Seu texto nada mais é do que uma tentativa de proteger-se através de uma “declaração antecipatória” para, caso volte a ter outra cirurgia, ela já esteja prevenida (o que é quase inevitável visto pertencer à “tropa de elite” da cesariana do Brasil – nível superior, classe média, madura e com cesariana prévia).
“Não me critiquem e não me patrulhem, e nem sequer me falem de parto normal, senão solto os cachorros de novo”.
Espero que desta vez ela possa ter um parto empoderador e maravilhoso, mas também nutro a esperança de que ela se liberte do comportamento “xiita” de patrulhar os humanistas. Para mim o texto dela descreve muito mais a ela mesma do que as mulheres cujas atitudes condena. Patrulhamento por patrulhamento, eles se igualam no dogmatismo inerte, mas pelo menos o humanístico e ecológico é mais solidário e progressista.
Beijos
Ric
PS: Ninguém é mais mãe ou mais mulher por ter feito parto normal, assim como ninguém é mais homem por possuir as duas pernas. Entretanto, valorizo o parto normal como um importante componente da história de uma mulher, tanto quando entendo como sagrada a integridade física de qualquer pessoa. (Max)
O apartamento novo – update.
Saturday, April 4th, 2009Ainda falta arrumar muita coisa, mas evoluímos muito desde que mudamos. Lembram?
A gente adora arrumar apartamento, e dessa vez queríamos tudo diferente do que já tivemos. Queríamos algo anti-decoração, anti-tendência, mesmo tendo consciência de que tudo que criamos tem necessariamente uma referência, uma inspiração concreta – ao menos para reles mortais como nós. Queríamos, enfim, algo cujo estilo não pudesse ser definido, algo apenas nosso.
E arrumar com carinho, deixar o apartamento com a nossa cara, ajuda a ocupar o novo espaço num plano maior do que o físico. Nos apropriar do espaço, uma coisa até meio ritualística.
E quando tivermos arrumado tudo, tenho certeza que desarrumaremos pra começar de novo. Porque afinal de contas a vida é feita de novos começos, não é mesmo? E amamos muito tudo isso.
Não pretendia, mas saiu um post meio filosófico…mas vamos ao que interessa, seguem as fotinhas. Contem o que vocês acham.


Vou tirar fotos da cozinha e dos quartos e posto em breve. Just for the records, ainda tem muita bagunça, mas ela está mais concentrada no escritório e no quartinho de empregada.
A dor e a delícia de ser o que é
Sunday, March 29th, 2009A gente fala tanto em achar nosso jeito de maternar, nosso jeito de comer, nosso jeito de cuidar da saúde, enfim, nosso jeito de fazer as coisas. Mas mais difícil do que adotar uma atitude “mainstream”, e mais difícil do que ser “alternativo”, é ficar no meio do caminho. Me sinto uma ET quando estou entre a galera do primeiro grupo e muitas vezes uma fresca convivendo com pessoas do segundo. De um lado, olhares de espanto e silêncios bizarros quando falo certas coisas; do outro, olhares repletos de pré-conceitos. Socorro.
Papo cabeça
Wednesday, March 25th, 2009No twitter, trocando ideias com a Ana Claudia. Inverti a ordem original das tuitadas pra não termos que ler de trás pra frente, ok? Essa, aliás, é uma coisa que me irrita no twitter. E notem que, se depender da gente, todos os problemas do mundo estarão resolvidos
anaclaudiabessa@rematteoni A gente saiu do Rio por causa da violência mas de que adianta se os amigos e a família continuam aí correndo riscos?
rematteoni@anaclaudiabessa pois é Ana, sair resolve em parte o problema. Como escrevi pra Tiffany, é preciso ter muita fé…
anaclaudiabessa@rematteoni Ai, Rê, fé só se for a fé de que o carioca vai parar de votar em político cretino…
rematteoni@anaclaudiabessa eu fico desanimada só de começar a pensar nas coisas todas q estão envolvidas…
rematteoni@anaclaudiabessa eu concordo q o usuario tem sua responsabilidade, mas e o tráfico de armas?
rematteoni@anaclaudiabessa se os usuarios não consumissem não haveria trafico, mas se os caras não tivessem armas não haveriam balas perdidas.
anaclaudiabessa@rematteoni o crime acontece porque há quem consuma… em todas as esferas….
anaclaudiabessa@rematteoni Além disso a justiça é medíocre e continua tratando crime organizado com tolerância.
rematteoni@anaclaudiabessa a policia precisa ser mais inteligente e menos corrupta
rematteoni@anaclaudiabessa a justiça dá nos nervos mesmo. estamos perdidos com as instituições nos 3 poderes!
anaclaudiabessa@rematteoni É desesperador ver que tem gente da base à cúpula do poder envolvido com o crime.
rematteoni@anaclaudiabessa aí entramos nós com nossa bandeira: investir nos filhos, que serão os adultos de manhã. só isso me dá esperança no futuro.
rematteoni@anaclaudiabessa pois é…não sei como, me parece tão óbvio. hj estava conversando com um amigo sobre escolas com mensalidades mto caras
rematteoni@anaclaudiabessa e concluimos q os preços astronomicos nada tem a ver com ensino, mas com seleção do “nivel” dos colegas
rematteoni@anaclaudiabessa e isso é triste pq aprender a conviver com a diversidade é tão rico e importante…
anaclaudiabessa@rematteoni Concordo. Inclusive tem uma escola canadenese aqui perto, cujo método é bem interessante mas custa o dobro que pago…
rematteoni@anaclaudiabessa sem contar que essa “nivelação” é perigosa. já ouvi cada história do q rola nas escolas classe media-alta daqui do Rio…
anaclaudiabessa@rematteoni E desisti de colocar as crianças porque ele iam conviver com colegas de realidades completamente diferente da deles…
rematteoni@anaclaudiabessa e a gente tem q levar tudo isso em conta na hora de escolher…
anaclaudiabessa@rematteoni Achei melhor dá-lhes uma base sólida para que possam no futuro estar preparados para enfrentar as diversisdades na vida.
rematteoni@anaclaudiabessa esse papo rendia um belo post…20 minutes ago from web in reply to anaclaudiabessa
Essa conversa toda começou por conta do post da Tiffany sobre a guerra ocorrida em áreas nobres do Rio nos últimos dias.
Quem se preocupa como futuro da humanidade?
Thursday, February 19th, 2009Li no blog O Futuro do Presente:
“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e esquece-se da urgência de se deixar filhos melhores para nosso planeta.”
Chico Xavier
Isso faz todo sentido pra mim, e logo que li me lembrei de um argumento que ouvi – e li – diversas vezes nos últimos tempos quando se discute as opções de se ter ou não se ter filhos, debate que ganhou espaço com o lançamento do livro Quarenta Razões para Não Ter Filhos e que rendeu muita polêmica, inclusive no blog do Desabafo de Mãe. Eu mesma no calor do debate dei meu pitaco aqui, e vejo que passado um ano e meio minha opinião é exatamente a mesma. Me lembrei desse argumento justamente pelo fato de a citação de Chico Xavier ir certeira de encontro a ele: o argumento de que ter filhos é anti-ecológico. O que, para mim, não faz o menor sentido, já que o futuro do planeta depende também da existência de gerações futuras. E que essas gerações sejam de homens e mulheres mais conscientes e evoluídos do que os que estão aqui. Para isso, em primeiro lugar, é preciso concebê-los, gerá-los, parí-los e criá-los. Em segundo lugar que isso tudo seja feito com consciência.
Se, por um lado, acho válido que as pessoas hoje possam sem pressão fazer essa opção, afinal ter um filho por imposição da sociedade ou qualquer outra motivação frágil não vale à pena, por outro acho uma pena que as pessoas usem um argumento desse tipo, que na verdade parece encobrir outras razões não tão nobres quanto essa à primeira vista parece ser. Longe de mim julgar os que assim se posicionam, mas definitivamente não acredito nisso. Não em não ter filhos como opção, mas nesse argumento.
O estado atual das coisas – do planeta, da humanidade, das relações humanas – é resultado de gerações de humanos marcadas por sérios problemas. Da atual, podemos citar o individualismo, o consumismo, a eterna busca pelo prazer imediato e a falta de afeto. E para se criar filho é preciso de compromisso, doação e muito amor. Algo que exige muito de quem se aventura, é como andar numa corda bamba, ter que lidar com questões e medos, aprender entre outras coisas. Mas, por outro lado, rende muitos frutos e é, por que não dizer, desafiador. Se nos permitirmos embarcar de cabeça, corpo e alma nessa experiência, descobrimos que as crianças têm muito a nos ensinar e nos ajudam a crescer, a evoluir. Se estivermos atentos, é claro. Nós fazemos muito por eles, mas eles também fazem muito pela gente. Estou nesse caminho, e a cada dia me assombro com o que aprendo sobre a vida e sobre mim mesma através da maternidade.
Comecei com a bela frase de Chico Xavier e termino com a linda frase que veio com a delicada embalagem de bem-casados que recebemos como lembrança das bodas de ouro dos pais de uma amiga:
“Todos os nossos atos sejam feitos com amor”
I Coríntios 16:14
Saber terminar é um dom
Tuesday, February 17th, 2009Pasta de dente no final é uó. Sacrifício pra fazer sair um tantinho, quando sai cai na pia. Taí, descobri um aspecto nada ecológico da minha vida: desperdício de pasta de dente.
Aliás, odeio tudo quando está no final. Pasta, shampoo. Perfume, desodorante. Em geral não me aguento e jogo fora antes de acabar. E o pior que isso se aplica a outras coisas também, como comidas – o mel no finzinho me dá nos nervos! – e relacionamentos.
Uma astróloga que fez meu mapa uma vez, por conta da posição dos planetas, falou exatamente isso pra mim: você tem dificuldade pra terminar as coisas. Com a pasta de dentes, fico me torturando pra usar até o fim ou então jogo fora sem terminar, normalmente essa segunda opção. Com os relacionamentos vou levando até que, quando não dá mais pra mim, risco a pessoa da minha vida sem dó nem saudade, nem olho pra trás. O que pode, em algumas situações, ser bom, mas em outras é prejuízo certo, afinal há pendências que só fazem mal e atrasam a vida da gente.
E vocês, como lidam com os finais?
Raising Generation Pax
Monday, December 29th, 2008“O universo nos proporciona um meio poderoso para criar paz: a forma como trazemos nossas crianças à vida. Importantes idéias sobre a influência de nossos pensamentos e atitudes, aliadas a pesquisas de ponta, nos oferecem a oportunidade de realizar mudanças fundamentais através da concepção, gravidez e parto conscientes – para assim trazermos ao mundo indivíduos criados para a paz.
A maioria de nós almeja um planeta pacífico e ecologicamente sustentável onde nossos bisnetos poderão crescer. Mas esse objetivo parece estar longe de ser alcançado.
De acordo com um estudo realizado em conjunto por Harvard e pela OMS, os Estados Unidos sofrem com o maior índice de depressão (9.6%, representando portanto mais do que 9 a cada 100 pessoas) entre os 14 países que fizeram parte da pesquisa, incluindo o Líbano (6.6%) e a Nigéria (0.8%), países arrasados por guerra e extrema pobreza, respectivamente. O uso de anti-depressivos e outras drogas psicotrópicas por crianças em idade escolar (e pré-escolar!) aumentou de forma gradativa e constante na última década. Suicídio se tornou a terceira principal causa de morte entre os jovens de 15 a 24 anos, e seu índice dobrou na faixa de 5 a 14 anos.
Estamos no caminho errado.
A idéia de que os pais tem influência fundamental e definitiva sobre a saúde sócio-emocional de suas crianças decididamente não é politicamente correta. A idéia de que, nesse tema, existe um ideal a ser buscado pelo bem da humanidade também não é politicamente correta, pois pode gerar culpa. No entanto, a mentalidade que, em oposição, isenta os pais de responsabilidade, acaba por criar desempoderamento e falta de esperança.
Dotty Coplen escreve em Parenting for a Healthy Future, “Quanto mais consciência tivermos das consequências futuras do que fazemos hoje, e a intenção por trás da ação, mais sucesso obteremos na criação de nossos filhos com propósitos e objetivos próprios. Os pais devem ser capazes de, juntos, formar sua compreensão do que é um ser humano saudável”.
Pesquisas indicam que um ser humano saudável possui um cérebro equipado com as capacidades de auto-regualação, auto-reflexão, confiança e empatia.
O ser humano saudável deve possuir um coração capaz de empreender e ser um exemplo de paz, uma mente capaz de inovar e trazer soluções novas para os desafios ecológicos e sociais que o planeta enfrenta e a força de vontade para implementá-las. Esse ser humano não é de forma alguma fruto exclusivo de uma genética pré-definida e imutável, mas sim resultado de uma interação dinâmica entre genética e ambiente – sendo os pais influência fundamental na variante “ambiente” dessa equação.
As capacidades necessárias para se obter um estado psicossocial ideal – ou ao menos aceitável – são criadas através de relações harmoniosas e consistentes com poucos e seletos adultos no período crítico dos três primeiros anos de vida. A situação oposta não é necessariamente representada por situações extremas de abuso, mas de negligência não intencional, comum quando os pais estão sobrecarregados com trabalho, problemas ou quando não tem apoio.
Por favor ouçam-me com atenção: não se trata de atribuir ou provocar culpa em pais que estão fazendo o melhor que podem no momento, mas sim de provocar o despertar para novas informações, com compaixão, que poderão proporcionar uma melhor compreensão de nós mesmos e da nossa própria história: todos já fomos, um dia, bebês e crianças! Trata-se do mistério da nossa própria divindade .”
(tradução livre de trecho da matéria Raising Generation Pax, de Marcy Axness, na revista Pathways to Family Wellness, edição de junho de 2008. A matéria original, na íntegra e em inglês, pode ser encontrada aqui. Marcy Axness é PhD, especialista em fertilidade, psicologia pré e perinatal e adoção, e está para lançar o livro Raising Generation PAX: The Science of Peace and Parenting, cujo tema, por óbvio, é o mesmo dessa matéria)
Da série coisas óbvias que me causam espanto
Thursday, December 11th, 2008Outro dia, olhando pra Pipoca, pensei: “caramba…ela saiu de dentro de mim!”
A gente cria filho, cuida de filho, se diverte com filho, briga com filho, se preocupa com filho, ama filho, mas quase nunca se lembra que eles surgiram de uma célula nossa e que saíram de dentro da gente. Isso não é bizarro?
Faz total sentido
Friday, October 24th, 2008“(…)Eu me sinto muito mais corajosa agora do que quando eu era jovem e rebelde”
Angelina Jolie, a respeito de sua vida hoje, depois de seis filhos. Vi aqui.
Concordo 100%!
Links para convites a reflexão sobre a condição da mulher
Tuesday, October 21st, 2008A tragédia da vez e as eleições americanas, através de blogs que leio, me incentivaram a, no meio do pequeno caos que anda minha vida, refletir um pouco sobre questões que não se referem diretamente ao meu umbigo. O que é algo positivo, dadas as circunstâncias atuais.
***
O desfecho do sequestro da jovem Eloá, infelizmente, não foi novidade. A Lola lembrou que histórias semelhantes acontecem toda hora, no Brasil e mundo afora. E é de fato o que mais me entristesse – não quero, nem acho que valha a pena entrar no mérito das cagadas cometidas pela polícia e das questões políticas (blergh!) envolvidas, pois acabam sendo questões menores. E vai além da atitude do rapaz e dos outros homens que cometem agressões contra mulheres que alegam amar. Infelizmente, a cada dia me convenço mais de que somos coniventes com tudo isso. E me assusto ao perceber como somos responsáveis por tudo que acontece em sociedade. Porque é preciso lutar muito pra mudar um padrão, é preciso dar o exemplo e ensinar às crianças a não entrar nesse padrão. E tudo depende de pequenas atitudes, é muito muito difícil. E indignações à parte, a polícia, a imprensa e a opinião pública em geral demonstram um visão da mulher que só me leva a acreditar que o que aconteceu vai continuar acontecendo por aí com muitas e muitas mulheres por muito e muito tempo.
***
Outra coisa que me assombra: como é louca essa briga dos pro-life x pro-choice nos Estados Unidos. Que a briga é feia, que é uma guerra*, eu já sabia. Mas quando a gente se depara com a dificuldade das pessoas em até mesmo ouvir a outra parte – não se trata nem de argumentos contrários propriamente ditos, mas de relatos de experiências de vida que podem levar à reflexão e consequentemente a exergar a coisa de uma outra forma, não necessariamente oposta – fica realmente difícil entender o ser humano. Quanta INTOLERÂNCIA. Quanto DESAMOR.
Minha opinião sobre aborto: não sou a favor do aborto (acho que ninguem é), mas sou a favor da discriminalização. Porque não faz o menor sentido pra mim a proibição de uma mulher decidir sobre seu próprio corpo, sobre algo tão relevante para sua vida. A questão do aborto em si é muito complicada, mas a questão da criminalização x descriminalização é, pra mim, simples. Por isso a denominação usada pelos que defendem o direito ao aborto, “pro-choice”, me parece bem mais adequada que a usada pelos que são contra, “pro-life”. O oposto seria “anti-life”, vejam que absurdo. Já “anti-choice” não me parece nada inadequado.
***
Pensando sobre os assuntos acima, percebi que se referem ao meu umbigo sim, ainda que indiretamente, e mais: se referem a todo mundo. No meio disso tudo só fico pensando que não é esse o futuro que quero pra humanidade, e o fato de ser mãe de menina naturalmente torna minha preocupação ainda maior. Peço coragem a Micael todos o dias pra lutar e fazer minha parte, mas às vezes dá mesmo é vontade de gritar: “pare o mundo que eu quero descer!”
UPDATE: mais duas leituras a respeito do sequestro de 100 hoas: o texto “Feminicídio ao vivo – o que nos clama Eloá”, uma abordagem no mesmo sentido da linkada acima, igualmente interessante, e uma crítica à postura da imprensa com o post A Imprensa Dilacerada, do blog EscutaZé!
* nesse post a Denise traz links para notícias e estatísticas sobre a violência cometida em nome da “vida”.




